Solidão em meio a multidão.
Solidão é o que venho sentindo esses dias. Sei que essa palavra deve soar estranha para você, ou talvez não soe; mas para mim faz completo sentido agora. É amigo, faz tempo que não conversamos; na falta de pessoas, converso com ninguém, ou será com todos da Internet? De todo modo, estou aqui novamente, aqui em meu blog.
Temos que saber equilibrar as coisas, isso também vale para as amizades que fazemos. Nós, seres humanos, somos feitos para se relacionar uns com os outros. Então, aquele que passa muito tempo sozinho, provavelmente será uma questão de tempo para perder a sanidade mental. É, acho que isso todos nós já estamos carecas de saber. O problema é quando existe a tecnologia para criar laços de intimidade muito estranhos e novos. Estranhos para os seres humanos que em teoria só deveriam se relacionar pessoalmente, o virtual não passa de uma anormalidade, quiçá uma ilusão.
Agora vejo que temos dois grupos (ou três até com a intersecção desses grupos) distintos. Um grupo que são os nossos relacionamentos pessoais e um grupo que são os nossos relacionamentos virtuais. Obviamente que o grupo de relacionamentos pessoais é bem mais valioso e precioso, afinal de contas, nosso ser foi formado para ter esse tipo de relacionamento. Todavia eu não tenho muitos relacionamentos pessoais e tenho muitos outros relacionamentos virtuais, o que pode gerar um problema muito grande no equilíbrio da sanidade mental de uma pessoa normal.
O problema é a pequena (micro minúscula) fama que estou tendo esses dias aumentou bastante em minha percepção de normal a quantidade de relacionamentos virtuais que ando tendo. Deve achar isso uma maravilha, certo? Nem sempre. Acontece que eu me preocupo razoavelmente bastante com as pessoas (sejam elas reais ou virtuais), então dez pessoas para eu me preocupar a minha vida se torna um pesadelo. Como se torna um pesadelo? Começo a me preocupar em horas inoportunas, onde deixo de cumprir com as minhas responsabilidades para me preocupar com outras pessoas. Cada nova pessoa que conheço sinto em dívida para dar um pouco de mim, do meu tempo, da minha atenção para essa pessoa. Acontece que seguindo nesse ritmo, não sobrará mais nada de minha pessoa. Todos esses laços de relacionamentos virtuais aumentam em quantidade, mas diminuem drasticamente em qualidade; deixando os laços frágeis e superficiais. E quando me dou conta, quando necessito de ajuda, quando preciso de laços um pouco mais fortes… não tenho nenhum e assim me sinto só.
Não era para se sentir só, afinal existe outro grupo de pessoas com quem eu deveria recorrer nesses casos, certo? É, o grupo de relacionamentos reais, que no meu caso é quase inexistente. Então…
A tecnologia avança em um ritmo tão grande que biologicamente é impossível o ser humano evoluir para acompanhar, dessa forma todos nós saímos prejudicados. A sede das empresas e dos marketeiros buscarem sugar em nossos instintos, não respeitando nossos limites humanos, nos destroem sem que saibamos. Um bom exemplos são os MMORPGs que consomem a vida de muitos, tentando excitar o máximo de prazer quando nossos corpos não estão biologicamente preparados para tal choque de lazer exagerado. Matam-nos.
Isso não é para mim e acredito que nunca será. Preciso de todos, não preciso de alguém. Preciso me relacionar e não mais me virtualizar. Preciso aprender a ser como um humano e não mais parte da anormalidade real ou normalidade virtualizada. Preciso pensar, preciso de um tempo. Tudo que sei é que não estou bem.
É isso… ):
