Mistério que causa ilusão.
A imaginação é uma das grandes ferramentas que utilizamos (seja ela voluntariamente ou involuntariamente) para alcançar-mos a perfeição. Já cheguei a julgar se existia algum motivo de iludirmos com alguma imagem ou o fato de supor algo que não existe, quando analisamos algo que vimos rapidamente. Por que poderia a visão ser tão falha quanto a isso? Porém, essa é uma das engenhosidades que o nosso corpo humano possui para funcionar bem. Pois apesar de falhas (julgamento errado do que vimos ou até ilusões), elas são necessárias para conseguirmos até andar. Por exemplo, não conseguimos enxergar em terceira dimensão, porém vivemos em um mundo de três dimensões. Aí pergunto, como então é que conseguimos viver sem trombar por paredes diversas vezes e tropeçar amiúde; se a imagem em nossa retina é, necessariamente, 2D? Exatamente pelo motivo que o cérebro precisa supor algo e por fim acaba criando diversas ilusões acidentalmente. Não desejo falar do funcionamento do olho e da visão que o cérebro possui em relação a esse sentido, quero falar de outra coisa. ;p
Sim! A imaginação. Ela é a companheira perfeita para alcançarmos à perfeição. Aqui estão alguns exemplos que gostaria de citar que pode corroborar com minha afirmação.
Filmes vs. Livros. Após você ler um livro e assiste ao filme baseado no livro, existe uma grande probabilidade de frustrar-se. Por que isso acontece? Quando você lê o livro, consegue imaginar a descrição do autor através da sua concepção de beleza (o que você julga ser bonito baseado em seu gosto pessoal), de como a cena deve ser realizada para se tornar perfeita e outros pormenores que você constrói de maneira pessoal. Tudo isso fica perfeito (melhor ainda se o livro não possuir ilustrações). Porém, no filme você não precisa imaginar nada e muito do que se passa é aqui e não existe segunda alternativa. Caso determinada cena não for semelhante com algo que você imaginava ao ler o livro, causará a frustração. (Só uma observação pessoal. Não gosto quando tentam comparar qualquer filme com livro, não julgo que estejam em categorias iguais; pois, apesar de ambas serem expressões artísticas, ainda sim são formas diferentes de arte. Portanto, possui pesos e medias diferentes.)
Namoro virtual. Quando você conhece alguém apenas de forma on-line, não possui todas as informações possíveis de determinada pessoa, caso comparássemos se vocês tivessem se conhecido pessoalmente. Uma infinidade de informações é transmitida de maneira tácita e que não é possível transmitir via Internet. A causa disso são as lacunas que deverão ser preenchidas de acordo com a sua imaginação, com isso acaba criando um personagem inexistente, porém perfeito (ou quase isso). Então, quando o casal irá se encontrar pela primeira vez pessoalmente, existe uma grande probabilidade de acabar em frustração.
Ídolos. Algo que é comum na adolescência é a participação de fãs clubes. Isso é semelhante ao namoro virtual, porém em um grau bem piorado. A mídia apenas repassa as informações (não necessariamente verdadeiras) boas de determinadas pessoas do mundo pop. Com isso, cria uma imagem ilusória na cabeça dos fãs que tais pessoas são perfeitas. Sem contar no detalhe que isso também gera muitas lacunas de informação o que ocasiona no preenchimento de ilusões ainda maiores através da imaginação. Um exemplo claro disso é quando você faz a seguinte questão para o fã alienado: “Já imaginaste tal pessoa defecando?”. Isso pode chocar a pessoa, pois sua ilusão chegou a tanto que de ser humano o ídolo passou para o patamar seráfico, ou seja, não faz as necessidades básicas de todo e qualquer ser humano.
Nudez. Isso é um fato curioso a respeito da estética visual humana. Nunca se perguntou do porque as pessoas são mais bonitas vestidas que peladas? Antes que eu escute falácias de que a moda é algo inerente ao ser humano (a moda surgiu depois da idade média, e conseguíamos viver muito bem sem isso), darei a minha argumentação. A roupa causa um mistério, uma ausência de informação sobre como é o corpo de determinada pessoa. Assim essa lacuna de informação pode ser preenchida com a imaginação, que, com certeza, será melhor que o real (ou na maioria dos casos). ;p
O fato interessante de tudo isso é que, apesar da necessidade do cérebro precisar construir algo (seja visão, julgamento, conceito e etc) que faça sentido, ao preencher essa ausência de informação com a imaginação (resultando assim algo inteligível para a mente) ela pode ser moldada da maneira mais conveniente para o pensante. Afinal, não existe apenas uma solução imaginável para algo que aparenta ser ininteligível. Dessas opções de hipóteses, escolhemos aquela que mais nos agrada.
Falei o óbvio, talvez; não obstante, precisava tirar isso de minha cabeça. Estava incomodando já. Hihihi.
