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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Olho.

Um dos motivos de eu ter criado o blog é de descarregar parte de minhas reflexões que estão nebulosas em minha mente e necessitam serem exteriorizados, pois só assim posso organizá-los e torna-los inteligíveis (até mesmo para mim). Não só isso, mas para que não exista alguma idéia/teoria flutuando em minha mente consumindo meus poucos neurônios. Aliás, já havia citado isso em algum post anterior. De qualquer maneira, esses dias o acúmulo de teorias e observações tem sido grande, porém não tive muito tempo (i.e., paciência) para descrevê-los. Hoje, todavia, finalmente consegui ânimo. Vamos ver o que sai.

Uma das questões que sempre me irritou foi a Teoria Evolucionista de Darwin. E o clássico exemplo é como chegamos ao olho humano, pois ele é um dos órgãos mais complexos que temos. Veja uma das explicações da evolução do olho:

[…] Pequenos erros aleatórios, em contraste, podem tornar um órgão um pouquinho mais parecido com um olho, como em nosso exemplo onde uma mutação imaginária poderia tornar um cristalino um tantinho mais transparente ou um globo ocular um tantinho mais redondo. De fato, muito antes de nosso cenário ter início, uma longa seqüência de pequenas mutações precisa ter se acumulado para dar um olho ao organismo. Mas, observando organismos de olhos mais simples, Darwin reconstituiu como isso poderia ter acontecido. Algumas mutações tornaram um trecho de células epiteliais sensíveis à luz, algumas outras mutações tornaram opaco o tecido subjacente, outras o aprofundaram em forma de taça e depois em uma cavidade esférica. Mutações subseqüentes acrescentaram uma fina cobertura translúcida que posteriormente espessou-se até tornar-se um cristalino e assim por diante. Cada etapa forneceu uma pequena melhora à visão. Cada mutação foi improvável, mas não astronomicamente. A seqüência inteira não foi astronomicamente impossível porque as mutações não foram dadas de uma vez como as cartas em uma grande mão de um jogo de baralho; cada mutação benéfica foi adicionada a um conjunto de mutações benéficas precedentes que haviam sido selecionados ao longo das eras.


Uma das formas de argumentar contra essa teoria (de como o complexo olho poderia ter se desenvolvido) é pela utilidade. Obviamente que a natureza é neutra em relação às mutações, ou seja, nem toda mutação precisa necessariamente ser útil para continuar existindo e assim perdurar por gerações. Qualquer ser pode carregar uma determinada mutação (com tanto que não atrapalhe o mesmo) até que um dia encontre utilidade para o tal. Afinal, como um órgão complexo poderia evoluir gradualmente se apenas a forma final é útil? Com grande freqüência, a premissa da inutilidade é absolutamente errada. Aliás, realizaram até uma simulação no computador para o desenvolvimento de um olho complexo, veja só que interessante:

Os cientistas da computação Dan Nilsson e Susanne Pelger simularam uma lâmina de três camadas de pele virtual semelhante a um ponto sensível à luz de um organismo primitivo. Era um sanduíche simples composto de uma camada de células pigmentadas embaixo, uma camada de células sensíveis à luz no meio de uma camada de células translúcidas formando uma cobertura protetora. As células translúcidas podiam sofrer mutações aleatórias em seu índice refrativo: sua capacidade de desviar a luz, que na vida real frequentemente corresponde à densidade. Todas as células podiam sofrer pequenas mutações afetando seu tamanho e espessura. Na simulação, permitiu-se que as células da lâmina mutassem aleatoriamente e, após cada rodada de mutações, o programa calculou a resolução espacial de uma imagem projetada na lâmina por um objeto próximo. Se um turno de mutações melhorasse a resolução, as mutações eram conservadas como o ponto de partida para a próxima rodada como se a lamina pertencesse a uma linhagem de organismos cuja sobrevivência dependesse de reagir a predadores que assomavam a vista. Como na evolução real, não havia um plano principal ou um cronograma de projeto. Organismo não poderia suportar um detector menos eficaz no curto prazo mesmo que sua paciência viesse a ser recompensada pelo melhor detector concebível no longo prazo. Cada mudança que ele conservaria tinha de ser uma melhora.

Satisfatoriamente, o modelo evoluiu para um olho complexo na tela do computador. A lamina formou uma reentrância e depois aprofundou-se em formato de taça; a camada transparente espessou-se para encher a taça e avolumou-se para formar uma córnea. Dentro do recheio transparente, um cristalino esférico com um índice refrativo maior emergiu exatamente no lugar certo, lembrando em muitos detalhes sutis o excelente design óptico do olho de um peixe. Para calcular quanto demoraria em tempo real e não em tempo de computador para um olho se desenvolver, Nilsson e Pelger embutiram hipóteses pessimistas sobre hereditariedade, variação na população e tamanho da vantagem seletiva, chegando ate a forçar que as mutações correspondessem em apenas uma parte do olho a cada geração. Ainda assim, toda a seqüência na qual a pele plana transformou-se em um olho complexo demorou apenas 400 mil gerações, um instante geológico.


Só eu vejo um problema aí? Obviamente que a simulação do computador deu certo com base nas premissas da primeira citação que fiz, porém, a meu ver, existe uma grande falha. Acontece que consideraram apenas o fato do olho isoladamente. Claro que ele pode perdurar no corpo de um ser vivo, porém se esse o atrapalhar, com certeza, colaborará para o fim dessa espécie através da seleção natural. Por exemplo, quem disse que não existe a possibilidade de uma pequena melhora na visão prejudique o ser? Afinal, todos os seus outros órgãos (principalmente os motores) são orientados através da percepção antiga do olho, portanto, não necessariamente uma melhora na visão implica em uma melhora nos movimentos da coordenação motora. Vejo, sim, que existe a possibilidade de grande piora na percepção espacial do ser caso sua visão mude. Para que exista vantagem (ou mesmo que exista neutralidade, para não atrapalhar a sobrevivência do ser), outras mudanças seriam necessárias também, de como o restante do corpo precise encarar essa nova mutação em seu olho.

Aí você cita: “Mas, isso não vai contra a teoria evolucionista e nem contra a seleção natural”, e você tem razão… até um determinado ponto. Tudo isso acaba gerando outro problema: a probabilidade estatística.

Caso um evento A dependa de um evento B de acontecer, a probabilidade dos dois eventos são multiplicadas (e não somadas, quando são eventos isolados). Claro que a probabilidade de acontecer A é abaixo de 100%, assim como a probabilidade de B é (também) abaixo de 100%. Portanto, quanto mais eventos existirem – sendo eles, um dependente do outro – menor é a probabilidade do tal olho existir e maior seria a demanda de tempo para que ele possa se metamorfosear. Detalhe que citei apenas o fator da percepção, mas pode existir uma infinidade de outros fatores que podem ser multiplicados nessa probabilidade. A meu ver, portanto, isolar o olho por si só é loucura e leviano.

Citei a minha indignação sobre esse exemplo do olho, pois quase todos os livros que citam o nome Darwin, exemplificam o caso do olho isoladamente.

De qualquer maneira, é complicado, pois não existem provas (verdadeiras) sobre a teoria de Darwin, apenas suposições. Muitas pessoas, acredito, adotam isso como um axioma para dar continuidade nos estudos. Como podemos ver em uma citação de Mayr:

A questão adaptacionista “Qual a função de uma dada estrutura ou órgão?” tem sido há séculos a base de todos os avanços da fisiologia. Não fosse o programa adaptacionista, provavelmente ainda não conheceríamos a função do timo, do baço, da pituitária e da glândula pineal. A pergunta de Harvey, “por que existem válvulas nas veias?”, foi um alicerce importante em sua descoberta da circulação sanguínea.


Mas, será mesmo que é indispensável acreditar no adaptacionismo para fundamentar os estudos da utilidade de todas as estruturas e órgãos? Duvido, pois para isso tenho outra explicação que pode muito bem coexistir harmoniosamente com todos os estudos da fisiologia e ir contra a teoria darwiniana. Porém, ficará para outro post.

;p

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