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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Os sofrimentos do jovem Werther.

Não recordo exatamente o momento que decidi comprar o livro, tão pouco lembro quando decidi ler tal livro. O livro que vos falo é “O sofrimento do jovem Werther”, de J. W. Goethe. E, sim, terminei de ler o livro hoje! (:

Os sofrimentos do jovem Werther é um romance epistolar, publicado pela primeira vez em 1774, que teve um sucesso enorme e imediato por toda a Europa. Trazia novidades surpreendentes para a época. Em primeiro lugar, era como um espelho completamente imbuído de realismo poético, nos permite entrar na intimidade do modo burguês alemão. Além disso, é um romance de amor, ou melhor, o romance do desejo de amar. Goethe nos mostra, através desse monólogo epistolar, os recônditos segredos do coração humano e as reações que até então ninguém havia estudado. Por fim, o culto da natureza. Este culto é bem diferente daquele de Rousseau; na contemplação da natureza os sentimentos de Werther encontram ressonâncias infinitas e perturbadoras.


A tradução ficou boa. Bem, na realidade, não li os originais – em alemão – e por esse motivo não posso dizer se a tradução ficou realmente boa (caso a tradução ficou literal ou adaptada, e etc); não obstante, posso afirmar que é uma leitura muito agradável e as palavras “descem redondas” durante a leitura, ah, disso você pode ter certeza!

Quero destacar um dos trechos que o autor (ou tradutora/or, ou os dois juntos) descreve sentimentos que se transformam na descrição de um lindo cenário, tudo isso de uma forma sutil, suave, agradável e afável. Acompanhe comigo:

[…] De resto, sinto-me muito bem aqui; a solidão, nesta paisagem paradisíaca, é um bálsamo precioso para o meu coração, e a estação da primavera aquece generosamente este coração tantas vezes angustiado. Cada árvore, cada sebe constitui um verdadeiro ramo de flores, e eu gostaria de me transformar num besourinho, para flutuar neste oceano de perfumes e neles encontrar todo o alimento. […]

[…] Uma serenidade maravilhosa inundou toda a minha alma, semelhante às doces manhãs primaveris com as quais me delicio de todo coração. Estou só e entrego-me à alegria de estar vivendo nesta região, ideal para almas iguais à minha. Estou tão feliz, meu bom amigo, de tal modo imerso no sentimento de uma existência tranqüila, que minha arte está sendo prejudicada. Neste momento não poderia desenhar uma linha sequer, e, no entanto, nunca fui um pintor mais abençoado do que agora. Quando, ao meu redor, os vapores emanam do belo vale, o sol a pino pousa sobre a escuridão indevessável da minha floresta, e apenas alguns raios solitários se insinuam no centro deste santuário; quando, à beira do riacho veloz, deitado na grama alta, descubro rente ao chão a existência de mil plantinhas diferentes; […]


Lindo, não? Essa é uma das fortes características desse romance epistolar. Acredito que após ler esse pequeno trecho do livro já é possível sentir o quão agradável à leitura do mesmo é, certo?



Em relação ao personagem hiperbolicamente emotivo, sinto que o seu sentimento é exagerado. Não digo que seja impossível sentir (ou passar por) emoções que o personagem expressa por palavras no romance, porém o problema está na duração que o personagem se mantém nesse estado emocional profundo. Consegui usar como espelho as angústias amorosas passadas por Werther, no entanto, para mim esse estado letárgico perdurou apenas um a três dias (no máximo), enquanto o Werther permanece assim durante meses. Bem, provavelmente é uma grande novidade descrever esses sentimentos tão profundamente (ou tão explicitamente) na época que a obra foi publicada, porém duvido que apenas apresentação pormenormente dessas emoções tenha dirigido pessoas ao suicídio. Aliás, tenho a seguinte hipótese.

O autor descreve o suicídio de forma magistral, que seduz o leitor. A morte aparenta ser (realmente) a solução de todos os problemas que o personagem passa. Não só isso, mas é muito agradável aos olhos do leitor. Acompanhe comigo esse trecho:

[…] E quando a lua reapareceu, detendo-se sobre uma nuvem negra, e as águas se revolviam e rugiam diante de mim, cobertas de reflexos pavorosos e deslumbrantes – neste momento percorreu-me um tremor e, ao mesmo tempo, um desejo intenso. Ah, com os braços abertos diante do abismo, todo meu ser anelava as suas profundezas, e perdi-me na volúpia da idéia de precipitar naquele torvelinho meus tormentos e meus sofrimentos, de ser arrastado como uma onda! Oh! Não foste capaz de dar o passo decisivo, e pôr termo ao teu suplício! Minha hora ainda não chegou, sinto-o! […]


Ah, o livro é bom! Adorei! As pessoas que não lêem esses romances bonitos não sabem o que estão perdendo. Sério! Hihihi.

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