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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Superficialidade embusteira.

A unanimidade crítica provocada pelo império da moda é tudo salvo acidental, enraíza-se no mais profundo do processo de pensamento que inaugura a própria reflexão filosófica. Desde Platão, sabe-se que os jogos de sombras e de luzes da caverna da existência barram a marcha do verdadeiro, a sedução e o efêmero escravizam o espírito, são os próprios signos do cativeiro dos homens, A razão, o progresso em direção à verdade não podem advir senão na e por uma perseguição implacável das aparências, do devir, do encanto das imagens. Ponto de salvação intelectual no universo do proteiforme e da superfície, é esse paradigma que ordena ainda hoje os ataques contra o reino da moda: o lazer fácil, a fugacidade das imagens, a sedução distrativa da mídia só podem sujeitar a razão, enviscar e desestruturar o espírito. O consumo é superficial, portanto torna as massas infantis; o rock é violento, não verbal, portanto põe fim à razão; as indústrias culturas são estereotipadas, portanto a televisão embota os indivíduos e fabrica moluscos descerebrados. O feeling e o zapping esvaziam as cabeças; o mal, de qualquer modo, é superficial, sem que se chegue a desconfiar nem por um segundo que efeitos individuais e sociais contrários às aparências possam ser a verdade histórica da era da sedução generalizada.


Trecho do livro “O império do efêmero”, de Gilles Lipovetsky. Achei sensacional. Ainda hei de utilizar para fundamentar uma de minhas conjeturas em um futuro próximo.

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