Kachtanka.
Kachtanka já estava acostumada a receber um jantar gostoso toda noite e a ser chamada de Titia. Também se habituou aos novos companheiros. A vida corria às mil maravilhas. Todo dia, o homem levava o cavalete e os arcos para o quarto e começava a aula. Durava umas quatro horas e todos ficavam cansados. Pela noite, o dono saía, levando o ganso e o gato. Sozinha, Titia ficava um pouco triste. Quando dormia, sonhava com duas figuras confusas, meio cachorro, meio gente, e vinha a impressão de que os conhecia de algum outro lugar e que gostava deles. O gozado é que, no sonho, os dois cheiravam a verniz e cola de madeira.
Um dia, o dono também quis fazer dela uma artista. Titia apredendeu a se equilibrar de pé nas patas traseiras e a pular para pegar um torrão de açúcar que ele segurava no alto. Aprendeu a dançar, a tocar o sino e a disparar a pistola. Em um mês, já podia substituir o gato na Pirâmide Egípcia. Ela sentia um prazer enorme e comemorava com um latido cada truque que dava certo. O professor, empolgado, esfregava as mãos, dizendo:
- Um talento! Um talento!
Autor: Anton Tchekhov
