Água nascente.
Quando a ignorância bate a sua porta (e não a felicidade – que não e nunca persistirá –), não são seus amigos que depositam um sentimento honroso a sua pessoa; mas a sua própria ignorância que cobre a ti a coroa da felicidade e da autosatisfação. Digo a ti, não é a ignorância que traz a sensatez de uma vida de honra em nossa realidade, assim como a humildade; pois, se fosse assim, com uma medida microscópica teríamos prejuízo, perderíamos o juízo. Conquanto, é a nossa realidade, a nossa percepção de realidade que é restrita ao nível de satisfação própria. Afinal, não seria isso o que realmente procuramos? Sei que se eu não escutar mais os pássaros, que importância teria a consciência da existência deles? Nenhuma, nenhuma mesmo. Então, deveríamos nos preocupar apenas com a nossa percepção da realidade – enquanto não atinge as outras pessoas de forma direta ou indireta –, pois dependemos unicamente desta sensibilidade para a felicidade?
Poderia você confiar em sua percepção da realidade quanto aos sentidos? Mesmo a percepção do plano físico, do plano real; todavia, e quanto ao plano mental? E quanto ao plano etéreo que é invisível a sua percepção, que ocorre independente da sua existência – e mesmo em sua existência, ainda continua a acontecer infinitamente – até onde isso é importante e até onde isso deveria ser importante? Deveríamos cair em um relativismo total? Quais seriam as suas bases sólidas e racionais para engendrar um solo fixo e não tropeçar em sua própria insanidade? Todos nós devemos ter essa base, mas até quando poderíamos confiar nessa sólida base? Poderíamos questionar sobre elas? Sobre os nossos axiomas fundamentais – aqueles que nos sustentam a sanidade humana –, sobre nossos dogmas inexoráveis. E mesmo sendo correto questiona-los, até quanto poderíamos questionar sem cair em um estado caótico? Existe uma base fundamental e referencial correta para delimitar nossa mente? E mesmo se houvesse, seria para todos os humanos, para todas as diferentes pessoas? Seria essa o padrão universal da natureza humana onde se criam todas as mentes e formam os diferentes padrões? Mesmo se existisse esses padrões, existiria algum que esteja fora deles? Cosmos.
