Sol? Não, obrigado.
Ah! O verão! Praia, sol, calor, mar, o símbolo das férias e curtição, já dá para imaginar toda aquela galera que curte o ano novo e você lá no meio deles! Uma grande celebração da estação que, nós, brasileiros, temos o privilégio de lograr ao máximo nossas lindas praias juntamente com o nosso inseparável amigo sol. Uma celebração ao sol. Sunday, o dia do sol! Sem o sol não poderia existir vida na Terra, sem o sol mal conseguiríamos enxergar as cores fascinantes que a natureza nos apresenta. Sim, tudo fica colorido e feliz; alegre e vivo; sol é vida; sol é alimento para as plantas! Sol! Sol! Calor! Calor! NÃO!
Acordo todas as manhãs, abro a janela e vejo aquele sol irônico forçando a eu ser feliz, com a sua cor amarela irritante. Sou contra a ditadura do sol e a sua ubiqüidade nas manhãs e tardes. Desejo a liberdade dos dias cinza, pois nesses dias posso escolher o humor que eu terei até o fim do dia.
Você amante do sol, proponho um desafio: tente olhar para o seu amado sol durante muito tempo, ele cegará a ti e nunca mais você poderá desfrutar de prazeres visuais. Tente abraça-lo com saltos e agitação nos braços; garanto que não conseguirá. Ele está distante, olhando para ti com desdém e vaidade; dirá a você: “Bobinho, estou distante querido. Tome mais um pouco de meus raios cancerígenos!”. Exato, ele não respeita nenhum de nós, todo o dia nasce sem a nossa anuência. Tente ralhar para o sol: “Não, hoje não quero você! Traga-me a minha amiga lua, desejo falar com ela nesse átimo.” Um amigo próximo, com certeza, iria respeitar a sua decisão; conquanto, o sol não respeita; ele avassala por todas as frestas de seu escondedouro, tentando se fazer sempre presente.
Toda vez que aquele sol em seu ápice do dia começa a me atingir, procuro um lugar para esconder de sua onipresença, uma sombra para tentar sair do seu despotismo exacerbado. Todavia, não é sempre que é possível encontrar um refúgio para a ditadura sol, então fico lá fritando, suando, começo a sentir a minha pele ficar pegajosa, o corpo com todo o seu esforço em vão começa a eliminar o suor para equilibrar a temperatura, mas apenas deixa a situação apenas pior. O vapor do chão começa a turvar a minha visão, meu cérebro fica pachorrento, existe uma azáfama em meus pensamentos, sinto a minha pressão despencar, sinto repulsa de meu próprio corpo sórdido e tiraria como se tira uma peça de roupa. Nada disso é possível. O sol diz para mim: “Queime! Incinere! Não há escapatória! Queime!”.
Gosto mais da chuva e melhor se for uma tempestade. Imagine a água passando pelo meu corpo, purifica até a alma, deixa-me em um estado seráfico. Uma chuva que refresca e acalma suas ansiedades. Não há nada para escutar, se não as gotas que chocam ao solo. Nem fumantes existirão para gravitar em minha volta, apenas a presença da água. Até uma vontade de dançar pode surgir subitamente. Mesmo que eu não possa participar da sinfonia das gotas, ainda sim seria um belo espetáculo de ser assistido junto à janela de meu quarto. Chuva, chuva, limpe o estrago causado pelo sol nessa terra; cure o que ela levou de nós. Ó grandiosa chuva!
Use filtro solar! De nada.
