denislee


Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

www.flickr.com

Casa do tio da Ana.

Feriado prolongado! Quem não gosta de um feriado coladinho com o final de semana? Maioria das pessoas normais adoram isso e obviamente que eu não estou fora desse grupo. Sim, tenho o costume de amar a minha vida monótona, constante e metódica; porém, como eu havia citado anteriormente – em meu antigo blog – quando surge uma oportunidade para quebrar o ritmo de minha fatídica e repetitiva vida, pego-a sem pestanejar. Dessa vez foi uma viagem para a casa do tio de minha amiga, que fica bem longe da cidade em que vivo.

A casa não possui nada de especial, tirando o fato de possuir muitos quartos e ter uma saída para a represa – onde é possível nadar. Não obstante, é um ótimo lugar para descansar e foi exatamente isso que fiz, descansei. Mas… uau, o post de seu blog se resume a isso? Não! Obviamente que quero compartilhar algo com vocês, um episódio interessante que testemunhei nesse tranqüilo feriado em uma casa distante da correria de São Paulo.

Bem, é ótimo passar um tempo agradável com as pessoas que você gosta. Conversei bastante e tirei muitas fotos. (Aliás, tirei tantas fotos que um dos rapazes que estavam conosco – que não me conhecia – perguntou se eu era pago para que eu tirasse tantas fotos assim; claro que foi uma piadinha sem graça por parte do raparigota.) O tempo passou rapidamente e chegaram algumas novas pessoas que se integraram ao nosso grupo: três garotas. Eis que me chamaram a atenção – pois, não perco oportunidade de conhecer novas pessoas – e logo iniciei a construção do repertório de perguntas que eu faria a elas; no entanto, com toda cautela, para não parecer um psicopata colecionador de insetos mortos. Aguardei pacientemente e identifiquei a oportunidade perfeita para conversar com as mesmas, a hora do almoço.

Eu já estava sentado à mesa e elas sentaram bem próximas a mim, então entrei no meio da conversa de forma sutil. Introduzia as perguntas uma a uma, gradativamente e de forma branda. Elas respondiam sem o menor problema enquanto eu levantava outros questionamentos à medida que as respostas chegavam; tirava algumas duvidas entre outras curiosidades (definitivamente sou muito curioso). Então surgiu uma questão interessante, uma delas citou que iniciara uma nova filosofia de vida, se tornara vegetariana recentemente. Sabia que isso era uma decisão violenta e nada fácil para uma pessoa. Pronto, minha mente ferfilhou de questões quanto à súbita decisão da garota. Perguntei qual foi o marco para iniciar uma vida herbívora. Ela descreveu que havia visto um vídeo onde matavam os golfinhos de forma cruel na internet. Claro que esse não foi o único motivo, mas o início para pesquisa e outras argumentações a favor do vegetarianismo.

Minha perturbada mente continuou a fazer uma diversidade de perguntas quanto a essa questão do vegetarianismo e foi interrompida quando uma delas citou que uma amiga possui um hábito vegetariano crítico: deixara de comer alface. Qual motivo, perguntei em um átimo. Ela disse que quando a alface é retirada do solo, existe um risco dela dobrar e ficar aquele “enferrujado”, por esse motivo deixara de comer as pobres folhas. Exatamente! Por elas talvez sentirem dor no momento da extração. Aquilo me fascinou e senti que era uma ótima situação para levantar uma questão que eu tenho em relação ao circulo moral. Comecei o meu discurso sobre o circulo moral, descrevia com pormenores a visão que tive sobre o grupo e respeito moral que cresce em nossa sociedade. Citei que antes talvez fosse o sexismo e o racismo que estivera entrando no grupo moral, porém esse grupo vem crescendo para os animais (e.g., talvez em futuro próximo animais também possam abrir empresas ou processar pessoas). Com essa citação de “ter pena da alface” pude demonstrar com mais clareza a idéia e a insanidade que poderia chegar esse círculo moral em relação até as plantas. À medida que realizava o meu discurso, eu ficava mais empolgado, mais expressivo com as minhas frenéticas mãos; porém, fiz uma breve pausa. Naquele momento percebi que todas elas estavam prestando atenção em minhas palavras e na minha pessoa, fascinadas com a minha desenvoltura; súbito, uma delas interrompeu e olhando fixamente para mim, disse: “Ele não lembra um cantor coreano?”. Meu discurso desabou.

É, foi uma pequena decepção que tive, não obstante, conheci melhor elas e percebi o quão simpáticas são. Pois, tive outras oportunidades de apresentar as minhas idéias e escutar as delas. Aproveitei bem o tempo. Uma parte dos homens jogava videogame e a outra parte nadava (ou jogava cartas). Eu sei, eu deveria fazer parte de algum desses dois grupos, porém, aproveitei o tempo para tirar fotos, ler livro e conversar com as garotas (que boa parte do tempo ficavam sem fazer nada). Sim, sim, as atividades que deveriam me chamar a atenção perderam o gosto para mim… Não sei o motivo.

De qualquer maneira, foi um tempo agradável – pude descansar, tirar fotos e conhecer novas pessoas – e acredito que eu tenha aproveitado bem. Quem tiver curiosidade em saber como é a casa, poderá entrar em meu Flickr para ver as melhores 100 fotos tiradas (em quase toda a sua maioria) por mim e selecionadas por mim.

Antes de terminar, um famoso poema de Fernando Pessoa. HIHI.

LIBERDADE

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa…

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…

É isso. (:

Comments
blog comments powered by Disqus