Minha cegueira.
Antigamente pensei que o sentimentalismo fosse inútil para o nosso desenvolvimento intelectual. Algo que utilizei para corroborar com essa linha de pensamento é o fato de existirem pessoas com aparente ausência de sentimento e são puramente levados pela racionalidade. Isso, definitivamente, para mim fazia total sentido, porém pude reparar que essa verdade talvez não se aplique a minha vida, apenas na vida dos apáticos.
Todos nós possuímos sentimentos (salvo aqueles anormais) e buscamos afeto, então poderia eu retirar esse sentimento para me tornar uma pessoa mais inteligente? Afinal, se pessoas sem esse tal sentimentalismo consegue desenvolver (aparentemente) mais rapidamente que as pessoas medíocres e sentimentalóides [sic], talvez isso se aplique a mim também e dessa forma consiga turbinar minha racionalidade. Não concorda?
Apesar de essa idéia ser tentadora (e de fato, eu já tentei aplica-la em minha vida), pude conjeturar que não é uma verdade absoluta. O fato é que todos nós somos inerentemente sentimentais (ainda bem), ou seja, é impossível retirar o sentimentalismo que existe em nossas vidas. Então, pelo fato de não sermos facilmente moldados (por nós mesmos), impelir essa nossa característica inerente não parece ser algo sensato. Pois ao invés de tirar proveito máximo de nosso tempo para adquirir conhecimento e desenvolver nossa inteligência, gastaríamos mais tempo na tentativa de remover o nosso lado afetivo. O que resultaria em um fracasso completo se comparado àqueles que não possuem sentimento algum; estes que não moveram um dedo se querem para que isso acontecesse.
Não só a perda de tempo acontece quando se tenta tirar algo que inerente em nós, como é possível que ocorra efeitos colaterais, como, por exemplo: raiva, irritabilidade, orgulho, presunção e etc. Portanto, nesses casos a atitude mais sábia é saber conviver com os seus sentimentos, mesmo que isso seja muito complicado e doloroso. Dessa forma, podemos nos tornar pessoas mais agradáveis, menos chatas e com uma grande humildade aprender mais com outras pessoas também. Afinal, raiva não representa inteligência e nem um depende de outra e vice-versa.
Escrevo isso, pois tenho sido cego para essas coisas, tenho sido vítima das minhas próprias ilusões. Eu via trevas onde quer que eu dirigisse. Sempre apontava os perigos iminentes, motivos obscenos e esquemas secretos. Considerava a confiança ingênua, o zêlo romântico e o perdão sentimental. Zombava do entusiasmo, ridicularizava o fervor espiritual e desprezava o comportamento carismático. Considerava-me como realista que vê a realidade como realmente ela é e cria que não era enganado por “emoções escapistas”. Meu orgulho, minha presunção e minha cegueira estavam sendo minhas companheiras íntimas.
Bem, na realidade, talvez não seja essa a grande causa de meu orgulho, no fundo talvez eu tenha medo de me relacionar, de me machucar, e por esse motivo tente esconder meus defeitos e vulnerabilidades com essa máscara do orgulho…
Peço desculpas aqueles que prejudiquei com a minha covardia…
