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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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As artes.

Assim como a curiosidade é inerente a natureza humana, o mesmo acontece com a arte. Ela está em nossa natureza – no sangue e nos ossos, como antigamente se dizia; no cérebro e nos genes, como poderíamos dizer hoje.

Em todas as sociedades as pessoas danças, cantam, ornamentam superfícies, contam e representam histórias. As crianças começam a tomar parte nessas atividades aos dois ou três anos de idade, e as artes podem até mesmo refletir-se na organização do cérebro adulto: uma lesão neurológica pode fazer com que a pessoa seja capaz de ouvir e ver mais incapaz de apreciar a música ou a beleza visual. Pintura, joalheria, escultura, instrumentos musicais originam-se há pelo menos 35 mil anos na Europa, e provavelmente muito antes em outras partes do mundo para as quais o registro arqueológico é insuficiente.

Todavia, não quero descrever o motivo ou a razão da arte ser parte de nossa cultura e de nossa história como seres humanos, tão pouco procurar a sua causa; pois, como sabemos, ela faz parte de nossa natureza. Quero apresentar as minhas razões pelas quais fazem valorizar tanto assim essa expressão da criatividade humana, da beleza do potencial de nossos cérebros.

O mundo contemporâneo valoriza pessoas que conseguem realizar cálculos absurdamente rápidos; ou tarefas que não exigem talento artístico e expressão criativa. Porém, em breve, essas tarefas serão substituídas por computadores, pois esse tipo de tarefa é facilmente realizável por uma máquina; ao contrário da criatividade, da inovação, do verdadeiro potencial e brilhantismo que cada cérebro humano possui de forma única e original.

Vamos falar um pouco sobre literatura. Paradoxalmente, no clima intelectual de hoje os romancistas talvez tenham mais autoridade que os cientistas para dizer a verdade sobre a natureza humana. As pessoas mais refinadas escarnecem das comédias de final feliz e dos romances açucarados nos quais tudo se resolve a contento e todo mundo vive feliz para sempre. A vida não é nada disso, como podemos notar, e esperamos que as artes nos esclareçam sobre os dolorosos dilemas da condição humana.

As novelas antiutópicas, obviamente, recorrem ao exagero grotesco. Pode-se fazer qualquer idéia parecer aterradora com uma caricatura, mesmo se essa idéia for razoável quando moderada. Não estou querendo insinuar que a preocupação com os interesses da sociedade ou com a melhora das relações humanas seja um passo em direção ao totalitarismo. Mas a sátira pode mostrar como ideologias populares podem ter esquecido os aspectos negativos.

O livro 1984 (um dos meus livros preferidos), de George Orwell, é uma vívida descrição de como seria a vida se as facetas repressivas da sociedade e do governo fossem extrapoladas para o futuro. No meio século decorrido desde a publicação do romance, muitas novidades foram criticadas por suas associações com o mundo de Orwell: o eufemismo nos pronunciamento das autoridades, carteiras de identidade nacionais, câmeras de vigilância, dados pessoais na internet e até mesmo, no primeiro comercial de televisão para o computador Macintosh, o IBM PC. Nenhuma obra de ficção produziu tanto impacto na opinião das pessoas sobre questões do mundo real.

Diga-me quem nunca se sentiu como Bentinho no livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, com o seu ciúme doentio? Talvez essa obra explique mais sobre ciúmes que algumas teses e trabalhos científicos.

Segundo Georffrey Miller o impulso de criar arte é um modo de expressar a qualidade do cérebro. O virtuosismo artístico, ele observa, é distribuído desigualmente, exige muito dos neurônios, é difícil de falsificar e altamente valorizado. Acredito nisso de maneira ferrenha.

Citei alguns exemplos na literatura, a importância dela e a expressão da criatividade humana através dela. Poderia citar outros exemplos de expressão artística (fundamentais para o conhecer humano), que considero a maior manifestação de inteligência. Porém, isso demandaria um longo post, algo que meus leitores não teriam muita paciência para ler integralmente.

Viva a arte! Viva a criatividade humana! Um brinde a inovação. (:

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