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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Pieguice musical

Sempre tive a impressão que nunca sofreria alguma pieguice ao escutar repetidamente a mesma música ou o mesmo gênero musical. (Talvez por esse motivo o meu gosto musical nunca foi variado.) Percebi que eu estava equivocado exatamente nesse feriado dessa semana (que caiu segunda-feira), meus ouvidos estão chatos e seletivos. Vamos ao episódio interessantíssimo.

Por volta de três semanas atrás eu saí amiúde com algumas pessoas (as mesmas pessoas). Somente um deles possui carro e por isso éramos obrigados escutar as suas músicas; nada mais justo, pois o carro é dele. Até aí nenhum problema. Todos nós – eu e meus amigos – somos descendentes de sul-coreanos e convivemos dentro da colônia aqui em São Paulo, portanto era previsível que o dono do veículo colocasse musicas sul-coreanas, certo? E foi exatamente isso que aconteceu. Sempre que saíamos e a trilha sonora era composta por apenas músicas coreanas.

Depois de certo número de saídas, um de nós protestou sobre a nossa trilha sonora das saídas. Ele gravou um CD com outras músicas para trocar o repetitivo e hipnotizador repertório. Isso, de fato, aconteceu e o repertório trocou. Bem, na realidade, trocaram apenas o nome das músicas e dos cantores, pois ainda eram sul-coreanos cantando. Tudo bem, eu pude suportar e até aproveitar algumas músicas durante um curto espaço de tempo. Dessa vez foi a minha vez de protestar! Realizei o protesto da mesma forma, gravei um CD.

Ótimo, feriado! Fomos até Brotas para praticar rafting, porém a viagem de São Paulo até Brotas consome por volta de três horas. O que aconteceu? Meus amigos (todos sul-coreanos) colocavam sempre músicas de artistas sul-coreanos. Durante a viagem inteira na ida foram apenas músicas desse estilo dos olhos puxados. Suportei, pois com o pensamento utilitarista, reparei que seria egoísmo de minha parte pedir para trocar as músicas. Aguardei pacientemente (ou quase isso). Até que um dos passageiros-não-motorista reparou que o carro possui conexão para iPods e iPhones (no meio da viagem), ficou animado e sugeriu colocar o iPhone dele para trocar as músicas. Nesse átimo um sorriso involuntário se revelou em meu semblante. Uau! Bem, o iPhone do garoto só tinha músicas sul-coreanas também. Ótimo! Perfeito! Da mesma maneira que o sorriso apareceu subitamente, desapareceu.

Chegamos, fizemos o incrível rafting e enquanto aguardamos o grupo se reunir novamente, peguei o meu iPod e comecei a escutar. Até que uma amiga minha chegou próximo a mim. Então tive a grandiosa idéia de apresentar as músicas que tenho escutado, tenho gostado muito, as minhas incríveis descobertas musicais! Compartilhamos o fone e comecei colocando as músicas que mais me chamaram atenção (e.g., Elliott Smith). Passamos para a segunda música da lista das melhores músicas que ia se formando em minha mente, até que ela interrompeu e inquiriu: “Têm musicas coreanas?” “Claro!” Respondi acanhado. Sim, eu tinha apenas quatro músicas coreanas que eu já até havia esquecido da existência delas em meu iPod. Coloquei-as, ela pegou o meu iPod emprestado e deixou no loop apenas essas quatro músicas orientais. Incrível.

Na volta, mais três horas escutando apenas músicas coreanas. Faltando uma hora para chegar a São Paulo, não agüentei, joguei a toalha, desisti. Coloquei meus fones de ouvido e liguei o meu iPod, estava ficando literalmente louco.

Sério. Amo meus amigos, adoro o fato deles serem da “linhagem” que a minha. Porém, muitas vezes acredito que isso pode ser prejudicial aos meus ouvidos, a minha liberdade de escolha musical. Não sei, não me senti bem escutando sempre a mesma coisa o tempo todo. Pode ser sentimentalismo, só sei que em minha percepção momentânea foi incômoda. Saturei. ;p

Adoro eles. (:

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