Diga-me com quem andas e direi quem és.
Falácia. Sinceramente, acredito que essa crença popular seja uma falácia das boas, ou existe uma incompletude prodigiosa na informação que poderá ser facilmente mal interpretada. Aliás, muitas pessoas acreditam nessa crença popular como um axioma em suas vidas, porém eu não vejo dessa forma. Obviamente que darei as minhas argumentações quanto ao meu ponto de vista a ser sustentado.
Para mim existem dois fatores (básicos) que descrevem a personalidade de uma pessoa. Primeira são a sua natureza, características que a pessoa já nasce com, os traços inerentes guiados pelo seu código genético. Segunda é o meio, as influências externas que recebe as suas experiências de vida; que poderá ser dividia em dois tipos de ambientes diferentes; o ambiente compartilhado (que um grupo de pessoas compartilha) – que não possui praticamente influência alguma – e o ambiente pessoal (que são as experiências únicas que apenas essa pessoa recebe e/ou sofre). Pois bem, apenas o fato de existirem dois fatores que podem descrever a personalidade de alguém já descarta a veracidade de nossa querida crença popular, uma vez que ele apenas conta com o ambiente e/ou dá maior prioridade para o mesmo.
Apesar de estudos apontarem que tanto a natureza humana como o ambiente possuem influências de maneira igualitária, existe um porém. Acontece que o ambiente possui influência temporária ao contrário da natureza humana que podemos considerar como permanente em nossas vidas. Gosto musical é um ótimo exemplo de como é uma influência temporária; posso ter alguma tendência a gostar de algum estilo musical (seja pelo valor cultural que o mesmo movimenta em sua vida, ou sua filosofia) devido a minha natureza genética, porém dependemos do ambiente também (, pois sem a oportunidade de conhecer tal estilo musical, não poderíamos expressar tal gosto). Todavia, com o tempo o seu estilo poderá mudar, mas não as suas tendências. Em suma, para verificar a longo prazo de quem a pessoa realmente é, precisaríamos verificar a sua natureza (i.e., suas características inerentes regidas pela escrita de seu código genético); e não o ambiente, pois isso é temporário e verdade apenas para aquele momento – tão mutável e variável quanto as nossas emoções e sentimentos.
Podemos falar que as pessoas que determinada pessoa anda não é o acaso que realizou as escolhas, no entanto, a própria pessoa. Dessa forma, poderíamos verificar a sua personalidade, pelo “tipo” de gente que determinada pessoa anda (i.e., escolheu andar com). Ainda sim, tenho que discordar. É apenas o ambiente tendencioso que talvez tenha dado oportunidade para andar com aquelas pessoas, o que ocultaria a sua verdadeira personalidade. Seria como julgar alguém que gosta apenas de música sertaneja seja um caipira, sendo que nunca teve oportunidade de escutar outros estilos musicais. Mesmo que determinada pessoa pudesse ter escutado todos os estilos musicais e escolhesse um estilo, veja que essa escolha ainda sim seria decidida pela sua natureza e não pelo ambiente.
Talvez (também) a pessoa que anda com determinado grupo, tenha intenções diferentes, seja para tomar proveito de algum ou todas as pessoas do grupo. Talvez a pessoa possua uma crença forte sobre determinadas ideologias e assim atraia muitas pessoas. Talvez a pessoa sofra influência de outras pessoas facilmente. Veja que nem sempre é o compartilhamento de assuntos e interesses em comum que levam um grupo de pessoas a andarem juntas. Tentar julgar alguém com quem anda poderá provocar grandes enganos.
Para corrigir esse equívoco, não seria mais “Diga-me com quem andas e direi quem és.” E sim “Diga-me quem são seus parentes e direi quem és.”
(:
