Pais educando filhos.
Minha visão em relação à educação? Simples, aparentemente quase todos os livros são inválidos quando argumentam sobre esse assunto. Calma, digo isso em relação à personalidade, caráter entre outras características inerentes às pessoas (ou seja, aquilo que está gravado em seu código genético imutável, a meu ver).
Antes de tudo, a essa altura do campeonato, todos já devem possuir a consciência que eu desacredito em qualquer tabula rasa, por mais tentador que seja acreditar em uma teoria dessas. Pessoas não são folhas em branco onde podemos escrever e moldar elas de todas as formas possíveis. E para demonstrar um dos milhares de exemplos que eu já vi e corroboram bastante com essa afirmação, citarei uma história muito interessante que indica uma forte influência que os genes possuem:
[…] os irmãos Mallifert no departamento de registro de patentes da charge de Chas Addams e seus correspondentes na vida real: gêmeos idênticos separados ao nascer que na vida adulta se tornaram, ambos, capitães de brigada de incêndio voluntária, que enrolavam no dedo a corrente do pescoço quando respondiam a perguntas ou que disseram ao pesquisador que foi busca-los no aeroporto (separadamente) que um mancal da roda de seu carro precisava ser trocado.
Imãos gêmeos compartilham do mesmo código genético e a probabilidade de possuírem gostos iguais e até tomar decisões iguais são muito maiores. Assim como existe a probabilidade de irmãos possuírem características semelhantes (porém, menor caso não forem gêmeos, obviamente). Possuo uma serie de exemplos que demonstram como isso é verdade, assim como pesquisas. Veja se isso não é correto ou se é uma ilusão grupal.
Em uma entrevista na qual se perguntou a Marlon Brando sobre as influências na infância que fizeram dele um ator ele respondeu que gêmeos idênticos separados ao nascer podem usar o mesmo tônico capilar, fumar a mesma marca de cigarros, passar férias na mesma praia e etc.
Mas, será que eu fui o primeiro de muitos a pensar sobre isso? Por que tantas pessoas se enganam e acham behaviorismo ainda uma verdade em suas vidas, onde ignoram completamente a influência dos genes? Eu tenho uma explicação para isso também.
O primeiro motivo que levam as pessoas a pensar que todas as crianças são como massinhas de modelar são exatamente que essa explicação da tabula rasa encaixa bem em todas (ou a maioria) das situações. Por exemplo, pais agressivos podem gerar filhos agressivos, pois os filhos receberam uma educação agressiva; pais tagarelas podem gerar filhos tagarelas, pois os pais incentivaram a criança falar na educação; não obstante, além da criação, o que impede da hereditariedade dos genes serem a verdadeira causa disso? Nenhuma também.
O segundo motivo é a nossa percepção limitada em relação aos eventos recentes.
Apesar das grandes pesquisas feitas por economistas, o Nobel de 2002 foi excepcional, porque Kahneman não é economista. É psicólogo, e durante décadas, ao lado do falecido Amos Tversky, estudou e esclareceu os tipos de percepções equivocadas sobre a aleatoriedade que alimentam muitas das falácias comuns. […] Em meados dos anos 1960, Kahneman, que começava então sua carreira como professor da Universidade Hebraica, concordou em realizar um trabalho pouco emocionante: dar aulas a um grupo de instrutores de vôo da Aeronáutica israelense sobre os pressupostos convencionais das mudanças de comportamento e sua aplicação à psicologia do treinamento de vôo. Ele deixou clara a idéia de que a estratégia de recompensar comportamentos positivos funciona bem, ao contrário da de punir equívocos. Um de seus alunos o interrompeu, expressando uma opinião que acabaria por levar o cientista a uma epifania e por guiar suas pesquisas pelas décadas seguintes.
“Muitas vezes elogiei entusiasticamente meus alunos por manobras muito bem executadas, e na vez seguinte sempre se saíram pior”, disse o instrutor de vôo. “E já gritei com eles por manobras mal executadas, e geralmente melhoram na vez seguinte. Não venha me dizer que a recompensa funciona e a punição não. Minha experiência contradiz essa idéia.” Os outros instrutores concordaram. Para Kahneman, a experiência deles parecia genuína. Por outro lado, ele acreditava nos experimentos com animais que demonstravam que a recompensa funcionava melhor que a punição. Ele meditou sobre esse aparente paradoxo. E então se deu conta: os gritos precediam a melhora, porém, ao contrário do que parecia, não a causavam.
Como era possível? A resposta se encontra num fenômeno chamado regressão à média. Isto é, em qualquer série de eventos aleatórios, há uma grande probabilidade de que um acontecimento extraordinário seja seguido, em virtude puramente do acaso, por um acontecimento mais corriqueiro. Funciona assim: cada aprendiz possui uma certa habilidade pessoal pilotar jatos de caça. A melhora em seu nível de habilidade envolve diversos fatores e requer ampla prática; portanto, embora sua habilidade esteja melhorando lentamente ao longo do treinamento, a variação não será perceptível de uma manobra para a seguinte. Qualquer desempenho especialmente bom ou ruim será, em sua maior parte, uma questão de sorte. Assim, se um piloto fizer um pouco excepcionalmente bom, bem acima do seu nível normal de performance, haverá uma boa chance de que, no dia seguinte, essa performance se aproxime mais da norma – ou seja, piore. E se o instrutor o tiver elogiado, ficará com a impressão de que o elogio não teve efeito positivo. Porém, se um piloto fizer um pouco excepcionalmente ruim – derrapar com o avião no fim da pista, entrando no tonel de sopa da lanchonete da base -, haverá uma boa chance de que, no dia seguinte, sua performance se aproxime – ou seja, melhore. E se seu instrutor tiver o hábito de gritar “Seu jegue estabanado!” sempre que algum aluno tiver um desempenho ruim, ficará com a impressão de que a crítica teve efeito positivo. Dessa maneira surgiria um aparente padrão: aluno faz boa manobra, elogio tem efeito negativo; aluno faz manobra ruim, instrutor compara aluno a asinino em altos brados, aluno melhora. A partir de tais experiências, os instrutores concluíram que seus gritos constituíam uma eficaz ferramenta educacional. Na verdade, não faziam nenhuma diferença.
O ambiente pessoal (e não o ambiente compartilhado), ou seja, aquelas experiências únicas que você vivenciou no decorrer de sua vida influenciam em suas decisões, temperamento, caráter e tudo mais; no entanto, de maneira temporária! Em longo prazo, quem realiza essas decisões é o seu código genético. Apenas experiências traumáticas e epifanias enormes em sua vida que podem realizar uma mudança drástica em longo prazo.
É isso. Viu? ;p
