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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Italiano. [Parte II.]

Nada como sobrepujar alguns limites da nossa zona de conforto. Essa foi a sensação que tive ao subir as escadas do curso da língua italiana que estava se iniciando. Aquele friozinho na barriga e o pensamento: “putz, o que estou fazendo aqui?”, foram os atores principais naquele momento. Porém só pude lograr de boas sensações após a entrada.

Logo que entrei procurei o atendimento e perguntei qual era a minha sala. Rapidamente o funcionário respondeu com uma palavra que desconhecia por completo, mas que para ele soava a palavra mais natural possível. Descobri que batizaram cada uma daquelas salas com estranhos nomes e que aparentemente são de origem italiana. De qualquer maneira, ele forneceu as coordenadas corretas e pude encontrar a sala sem muitas dificuldades. Liguei a luz e sentei em um dos bancos mais distante da porta possível, para que assim eu pudesse pegar o próximo aluno de surpresa e não o contrário acontecesse.

Cheguei cedo – meia hora antes – e por esse motivo a sala estava vazia. Continuei escutando as minhas fofas músicas enquanto aguardava a chegada de mais alunos ou do professor. Momento depois entrou um rapaz alto, com barba, já balbuciando algumas palavras com um tom de amizade, sorridente, vindo em minha direção. Não compreendi as primeiras palavras e já retirando o fone de meu ouvido, sorri também e cumprimentei, estendendo o meu braço para o simpático rapaz. Receoso após a intimidação e da afobação daquele novo ser presente na sala, comecei a escolher as palavras corretas para perguntar se ele seria o professor ou não, da forma mais branda possível. Para a minha sorte ele – já muito prolixo – perguntou e respondeu a sua própria pergunta, disse que era a primeira aula dele e aguardou a minha resposta. Aliviado em não precisar perguntar se era ou não professor, respondi sem o menor problema.

E assim mais pessoas foram populando a sala de aula: um ator (de teatro), um advogado, um jornalista, entre outros. Fiquei feliz com a variedade de pessoas e me senti um tanto deslocado pela minha área de atuação não fazer co-relação alguma com a motivação de realizar aquele curso.

Estava lá, eu e aqueles homens naquela sala de aula aguardando a chegada de mais alunos. Até que um deles levantou um assunto muito interessante para aquela platéia formada unicamente por pessoas do sexo masculino: “será que vai aparecer alguma gata?”. Todos sorriram em sincronia não planejada e aguardavam a chegada com mais ansiedade de novas alunas, pois não havia nenhuma naquela sala naquele instante.

Chegaram todos os alunos e finalmente a primeira aluna. Para a infelicidade de todos era uma senhora. HAHA. Uma pena. De qualquer maneira, ela é muito simpática e deseja aprender italiano devido a sua ascendência possuir algum parentesco de lá.

O professor chegou e com muito carisma começou a falar um português arrastado e sofrido. Já pude conjeturar que esse é realmente um professor originalmente da Itália meeeesmo. Falou brevemente em português e então já partiu para o italiano. Afinal, presumiu a semelhança entre o português e o italiano e dessa forma já percebeu que não teríamos muita dificuldade de compreendê-lo.

O professor falava bastante, porém lentamente e gesticulando muito. Isso me incomodou no início, pois me senti como uma criança ou como um adulto com algum retardo mental. Sei que era necessário ele falar daquela maneira e repetir inúmeras frases trocando algumas palavras por sinônimos que lembravam vagamente algumas palavras no português, mas que incomodou, incomodou. :p

Em suma, a aula foi maravilhosa e passei um tempo agradável. Eu sempre tive a consciência de como a língua é intimamente ligada com a cultura do país, mas dessa vez pude sentir na pele essa sensação e a confirmação. Acredito que todos os brasileiros terão facilidade de decorar o nome das regiões da Itália, pois todos têm alguma associação com nome de alguma comida comum aqui no Brasil. HAHA.

É isso. Hoje terei a minha segunda aula. Oh sim, peguei um software para me auxiliar em minhas aulas e assim poderei humilhar aqueles outros reles alunos iniciantes. HAHA. Brincadeirinha. (:

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