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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Meu alvará para loucura.

Café sobre minha mesa, a calma personificada ao meu lado e o som enternecido do ar condicionado. Pude refletir um pouco mais sobre a minha pessoa, sobre a minha personalidade. Sempre temos esses momentos para ponderar sobre quem somos. Não digo em relação ao ser humano em um aspecto geral, mas de uma maneira pessoal e íntima.

Depois de um bom tempo presumindo que nós somos formados pelo que vivemos, descobri que pensava a meu respeito de maneira errada. Achava que eu era uma massa de modelar que poderia ser remodelado a todo instante e a qualquer momento, ou seja, poderia ser quem eu bem entendesse. A única fonte e influência da genética em minha vida (i.e., inerente) eram os meus gostos e nada mais; sendo o resto apenas influências externas em minha vida. Assim poderia formar o meu caráter, minha personalidade, meus gostos, minha pessoa no geral da forma que eu quisesse; como um shapeshifter. Definitivamente não acreditava em talento inato, não acreditava que poderíamos ter tantas características inerentes.

Então, achava que a minha forma de agir, meus gostos e tudo que fazia parte de minha pessoa, eram naturalmente explicadas através de experiências passadas que experimentei. Por exemplo, se eu gostasse de música clássica, eu poderia responder que o motivo disso ocorrer era simplesmente porque meu irmão adorava escutar e eu adquiri o mesmo costume quando ainda pequeno. Porém, não é dessa maneira que funcionam as coisas. (Ou, pelo menos, na maioria das vezes.)

Com essa nova noção sobre a explicação de nossas características únicas que cada pessoa possui, pude regressar até a minha infância. Imagens e flashes revelavam em meu pensamento, sejam eles marcantes ou frívolos. Pude analisar utilizando meu novo ponto de vista. Notei pormenores que passavam despercebidamente, novas explicações de eventos ocorridos e escolhas feitas que antes não possuíssem explicação alguma. Eu não era igual aos outros, nenhum dos meus amigos parecia comigo em suas atitudes e escolhas. Minhas escolhas, meus gostos, meus ideais eram diferentes dos demais, porém eu escondia todos os meus secretos desejos e pontos de vistas de todos eles. Isso é parte da minha pessoa que antes não era inteligível para mim, portanto, só escondia e evitava-os, tentando ser igual aos outros.

Talvez isso explique o motivo de eu não ter o apreço de relacionar com qualquer pessoa. Tentar ser igual aos outros, dissimulando escolhas aparentemente normativas para fazer parte da turma, não era uma tarefa branda para mim; exigia muito da minha pessoa. Tentei consertar tudo isso através da técnica da massinha de modelar, pois eu acreditava fortemente nisso. Frustrações aparentemente pareciam fazer parte do processo de remodelagem, mas revelava não ter fim. Concluí que não é assim que funcionam as coisas; que não é assim que funcionam as pessoas.

Não reprimirei mais as minhas vontades. A minha escolha é não ser mais criado ou servo de normas e padrões; não ser mais submetido à vontade de outrem. Dessa forma posso ser feliz, ser naturalmente eu. Porém, não é em todo aspecto e característica humana que adquiri emancipação, mas apenas em relação as minhas idéias, gostos e paradigmas que restringem de maneira óbvia o pensamento humano.

Agora eu posso ser feliz. (: HIHIHI.

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