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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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O pensamento e as palavras.

Depois de ler “1984” de George Orwell tive uma visão hiperbólica das palavras (novafala). Porém, esses dias reparei o verdadeiro valor que as palavras possuem em nossas vidas (seja, elas expressadas verbalmente ou em forma escrita). Não exatamente em nossas vidas, mas o valor que elas possuem no campo da psicologia cognitiva. Antes explicarei calmamente para que vocês (Oh, meus caríssimos e prezadíssimos leitores), como era o meu pensamento.

(Na realidade, eu tenho muitas epifanias ao longo de todos os meus dias, todavia resta paciência para compartilhar aqui as minhas incríveis e inesquecíveis experiências.)

Como muitos devem saber comecei a ler livros tardiamente. Para ser mais específico, comecei a ler livros em meados de Abril (se eu não me engano). Mas, assim que entrei em esse incrível mundo, pude ver o quão importante é ler e escrever. Compreendi que essas duas atividades (i.e., ler e escrever) não são utilizadas apenas no intuito de incentivar o capitalismo e o utilitarismo, as escolas contemporâneas incitam o português e a matemática como matérias principais com um objetivo nobre também. Reparei que a língua é intimamente ligada com a cultura e é indispensável para interpretar idéias e até mesmo para você se expressar melhor. De fato, todas essas afirmações são verdadeiras, no entanto, acabei conjeturando uma inverdade depois de valorizar tanto as palavras: o pensamento.

Acreditava que todos nós éramos escravos das palavras quando o assunto é o pensamento. Pensar, concluir, refletir e tudo que envolvia as nossas faculdades psicológicas precisariam necessariamente da ferramenta das palavras. Em suma, sem as palavras, não poderíamos pensar. Todavia, não funciona apenas dessa maneira (caso você ainda concorde com o meu antigo pensamento), ou seja, em dependência das palavras para que o pensamento possa funcionar.

Na realidade, o que é guardado em nossas mentes é a semântica das palavras e não as palavras em si. Uma prova que a interpretação de texto é um procedimento complexo para que nós possamos compreender da maneira correta é quando nos deparamos com frases ambíguas. Não interpretamos de forma literal e sempre que existe ambigüidade conseguimos distinguir (na maior parte das vezes) o que o autor está querendo dizer, e.g., “O papa se interessou nas meretrizes.”.

(Falando em ambigüidade, existia uma frase muito boa que a minha antiguíssima professora de português utilizou como exemplo para explicar o que é ambigüidade (de tão boa que até hoje em meus 25 anos, ainda me recordo): “Eu comi a maça e a sua irmã também.”. Diga-me, inesquecível, não? Depois dessa frase é praticamente impossível alguém não saber mais o significado de ambigüidade.)

Outro exemplo de que estamos livres das palavras para exercer o ato de pensar é quando imaginamos as diferentes deposições que um móvel pode ter em um cômodo. Não precisamos necessariamente de palavras para imaginar se o tal sofá verde fica bem em um determinado canto da sala. Até mesmo esse texto que você está lendo pode servir de exemplo. Veja que assim que você terminar de ler o mesmo, dificilmente conseguirá se lembrar de cada palavra escrita, porém lembrará a idéia principal que o texto estava se referindo. (Ou quando você lê um livro inteirinho e não se lembrará totalmente do texto, apenas o seu conteúdo principal e do que ele falava a respeito. Isso que fica armazenado em nossas mentes.)

Resumindo, a essência está na significância das palavras, ou seja, em seu conteúdo semântico; e não apenas nas palavras em si e em forma literal. Até mesmo uma palavra poderá ter significados e valores diferentes dependendo de quem lê. (E eu acredito que esse seja um dos maiores motivos para gerar discussões e desentendimento entre as pessoas.) Ninguém lê ou escuta uma frase e sempre interpreta em sua forma literal, apenas pessoas com alguma disfunção em sua habilidade cognitiva ou possui ascendentes lusitanos. Brincadeirinha. HIHIHI.

É bobo, eu sei, mas achei interessante.

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