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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Nada se cria, tudo se combina.

Sempre tive a mentalidade que era possível criar conhecimento, porém com o decorrer do tempo (mais especificamente quando comecei a ler livros) pude perceber que é impossível criar conhecimento. Antes pensava que era possível criar idéias e hipóteses baseadas em nada, todavia é impossível “criar” qualquer conceito/texto/imagem sem o processo cognitivo humano no campo psíquico. Tinha a visão que grandes gênios possuíam uma enorme fábrica de idéias escondidas em suas malucas cabeças.

Em minha igreja participo de diversos projetos que exige processo criativo, como planejar o layout de cartazes, realizar edições de vídeos, entre outros trabalhos (de propaganda e marketing). Inicialmente eu sempre tentava criar algo do zero, porém o índice de frustração era bem alto. Pensava que essa habilidade criativa era uma característica inerente (na verdade, ainda acredito que seja, mas de uma maneira diferente. Descreverei mais para frente). Em suma, se eu fosse realmente capacitado para criar algo original, meu processo de criação não seria derivação de absolutamente nenhuma idéia. Para mim – naquela época – criar algo com base em algum outro trabalho (mesmo que a fonte fosse apenas base de inspiração), considerava aquilo como um plágio e falta de originalidade.

Tolice de minha parte presumir tudo isso durante muito tempo. Ao ver diversas propagandas brasileiras que copiavam idéias dos estrangeiros e entender um pouco mais o processo cognitivo humano, descobri que nada pode ser criado a partir do nada. Assim como a Lei de Lavoisier (i.e., “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”) rege na conservação das massas, também rege no plano mental de maneira semelhante. (Vamos ignorar aquele devaneio que Dan Brown teve ao escrever “Anjos e Demônios” teve com a anti-matéria.) Porém, então como funciona o processo criativo? Antes vou dar alguns exemplos para elucidar que precisamos a Lei de Lavoisier rege em todos os campos.

Começaremos pelo Big Bang. Mesmo que a teoria mais plausível em relação à criação do Universo for realmente verdadeira, teria de necessariamente existir material lá antes do ocorrido. Isso obrigaria a existência de outra teoria para explicar quem colocou esse material inicial para que o processo do Big Bang ocorresse. Sim!, Deus entra nessa história mesmo com a existência do Big Bang. Para preparar um bolo, não podemos criá-lo do nada, precisaríamos dos ingredientes para realizar tal tarefa. Para escrever alguma frase com algum sentido, precisaríamos conhecer as palavras (a semântica delas); não só para escrever esse conhecimento é necessário, mas inclusive para pensar; ou você conjectura unicamente através de imagens? Veja que para criar monstros irreais, teríamos que tomar como base em coisas existentes no nosso plano real; veja que todos os seres inexistentes criados através de nossas criativas mentes possuem base em nossa realidade, ou derivação de algo que foi real. Mesmo que você durma e tenha o mais louco sonho de sua vida, tudo dentro desse sonho teria como base a realidade (e.g., os objetos dentro do sonho) para fazer algum sentido ou ser minimamente inteligível para sua pessoa. Ok, definitivamente precisamos de matéria prima para qualquer processo criativo. Agora explicarei como eu deduzo que funciona o processo criativo passo a passo.

Assim como na química temos que analisar/entender o objeto em sua estruturação, desmanchar/destruir e depois reconfigurar/remontar de outra maneira (para criar algo novo). (Tive essa visão brilhante no anime “Full Metal Alchemist” – em minha opinião, melhor anime que existiu na face da Terra.) Da mesma maneira funciona a nossa mente. Primeiramente temos que adquirir conhecimento (matéria prima), depois entender como elas são estruturadas ou construídas (senso critico) e só depois criar algo novo segundo o conhecimento já adquirido pelo processo combinatório.

(Como eu cheguei a citar em um antigo post, existem basicamente duas formas de adquirir conhecimento. [1] A primeira forma é através do seu testemunho, ou seja, sua experiência de vida que ensina a você algum conhecimento. [2] A segunda forma é através de conhecimento adquirido, ou seja, alguma autoridade no assunto (no seu ponto de vista) revelou essa informação a você de alguma forma; seja em forma escrita, telepática ou transcendental.)

Enfim, com os ingredientes corretos, podemos então entrar no processo criativo, ou seja, realizar a combinação dessas informações para criar uma nova informação. Assim é gerado novo conhecimento.

Como algumas pessoas aparentam ser mais criativas que as outras? Fica mais fácil responder essa pergunta quando conhecemos o processo criativo em nossas mentes. Pessoas mais criativas são aquelas que possuem habilidades maiores no processo combinatório dessas informações adquiridas, sendo o processo combinatório a etapa crítica. Pelo menos em meu ponto de vista.

Minhas suspeitas aumentaram quando eu procurava livros sobre fotografia. Esses livros (assim como a maioria dos livros de design e moda) em sua maioria apenas destacavam materiais e obras de outras pessoas, ou seja, já que nessa área o conhecimento técnico não é tão grande (caso for comparado à outras áreas) e nem tão relevante. Portanto, criam então material para inspiração. Dessa forma a melhor maneira de revelar, apresentar e desenvolver o processo combinatório é o resultado que outros autores tiveram em suas combinações e composições.

Quer ser criativo? Fazer um novo caminho cada vez que você vai ao trabalho não será o suficiente para desenvolver novas idéias, terá de pegar muitas referencias de fora. Nada pode ser criado a partir do nada. Nada se cria, tudo se combina.

Talvez isso não seja novidade para você, porém para mim era uma novidade e das boas. Hahaha. É isso.

(:

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