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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Escolhas musicais.

Qual o seu critério para classificar se uma música é boa ou não?

Eu (praticamente) durante a minha vida inteira nunca tive preferência para nenhum estilo musical – alias, antigamente nem de música gostava. Meu gosto era guiado segundo a sensação boa ou ruim que determinada música pudesse produzir em mim (acredito que muitas pessoas façam o mesmo, ou chegaram a fazer isso alguma vez na vida). Porém, agora que estou com alguma experiência musical diferente, vieram muitas perguntas em minha cabeça. Será que essas escolhas e julgamentos são sinceros? Será que essas escolhas condizem com o nosso gosto musical inato (se é que existe gosto musical inato)? Por fim, não é o mercado que manipula as nossas poucas escolhas musicais que temos fácil acesso? Será que o gosto de outras pessoas não nos influencia (isso vale para você também, que escuta apenas músicas alternativas/underground)?

Confesso que antigamente eu não tinha absolutamente nenhuma dessas questões em mente por diversos motivos. O principal motivo era minha falta de interesse no mundo musical. Com o passar do tempo na adolescência (por volta dos meus 15 anos) criei um forte interesse, onde conheci dois amigos que amavam Nirvana entre outras bandas do estilo grunge. Influenciaram-me tanto que nós três resolvemos formar uma banda cover do Nirvana. Eu no baixo, um na bateria e outro na guitarra. Escutávamos Nirvana, Alice in Chains, Silverchair, Perl Jam entre outros da mesma família musical. Porém o nosso deus maior naquela época era Kurt Colbain. De qualquer maneira, a banda não funcionou e no ano seguinte tive de me separar deles, pois eu iria mudar de cidade.

Apesar de ter escutado toda discografia do Nirvana e ainda permanecer com interesse em bandinhas ao estilo de punk rock, indie rock e rock alternativo; não sentia preconceito nenhum em relação aos outros estilos musicais. Pensava que a minha identidade era grunge, vestia-me como tal (usava All Star surrado, bermudas xadrez e etc), cantava as músicas desse gênero, andava de skate, sentia até um espírito anarquista brotar em meu interior; enfim, estava como um fiel escudeiro e seguidor do legado hippie-punk que Kurt Colbain deixara após a sua ascensão ao seu estado nirvana budístico [sic]. Não obstante, minha fidelidade com o semi-deus-kurt foi definhando, pois não existia mais a banda para incentivar com a “seita”. Então parti para as músicas pops, ou seja, aquelas que todas as pessoas cantavam e conheciam. Por que essa escolha? Foi uma escolha puramente racional e sentia-me bem com isso. Já explico.

Primeiro fator é que eu sempre (sempre MESMO) nunca tive restrição nenhuma em relação aos estilos musicais (mesmo naquela época onde eu parecia um fiel seguidor do movimento grunge). Já o segundo fator era que eu acreditava na meritocracia, algo como “a voz do povo é a voz de Deus”; caso uma banda/cantor estivessem e primeiro lugar, é porque dignamente deveria estar lá. É como aquele programa de TV chamado “American Idol”, onde é o público que vota na pessoa que eles consideram mais qualificada. Então, para evitar ficar escutando um número quase infinito de músicas e classificar qual era o melhor para mim, seguia a estatística e os critérios daqueles que já escutaram muitas músicas e especialistas que faziam à labuta de classificar o que era bom ou não Em teoria deveria cair sobre as minhas costas para fazer a melhor escolha musical segundo o meu gosto inato, porém, optava em seguir a estatística.

(Sei que algumas pessoas atuam contra a maré dos músicos populares como forma de protesto, ou para auto-afirmarem que não fazem parte da massa que está sendo manipulada pela mídia, ou querem parecer diferentes, ou coisa do tipo. Não!, nunca fui parte de nenhum desses grupos e expliquei exatamente a minha ideologia musical e por quais princípios o meu gosto foi guiado por um longo tempo.)

Quero dizer que atualmente eu não acredito mais na meritocracia dos músicos que estão no topo (e.g., Beyoncé Knowles). O motivo não é pela mídia conseguir controlar o nosso gosto musical, mas pelo fato de aparentemente não termos gosto nenhum definido. Citarei algo que mudou a minha visão e meu paradigma em relação as minhas escolhas musicais.

Eu já tinha conhecimento que somos facilmente manipulados e que muitas vezes fazemos escolhas aparentemente racionais quando temos muitas opções. Parecemos que temos liberdade de escolha, quando na realidade, não é exatamente assim que funciona. Aliás, eu desconfiava (obviamente) que existiam influências externas manipuladores do meu gosto e do gosto da população em massa, mas não desconfiava que o controle fosse tão grande. Um grupo de pesquisadores fez um teste muito interessante para ver como somos influenciados pela escolha de outras pessoas. Recrutaram 14.341 pessoas para o teste e disponibilizaram na internet para esse grupo 48 músicas para que eles pudessem baixar e fazer suas críticas. Todas as 14.341 pessoas foram divididas em 8 grupos diferentes e cada participante só poderia ver as estatísticas da classificação das músicas do seu próprio grupo. O resultado? Incrivelmente o resultado foi o mais variado possível (comparado à lista das músicas entre um grupo e outro. Por exemplo, uma música poderia estar no topo de um grupo, porém estava no último lugar em outra lista.). Depois de analisar essa experiência, pude realmente refletir sobre a influência que possui as mídias e aquele top 10, 20 e etc fazem com a nossa cabeça, assim como a opinião de outras pessoas a nossa volta.

Em suma, depois de retirar todo o meu antigo critério de meritocracia em minha mente e de ver a grande flexibilidade e vulnerabilidade que a nossa escolha possui em relação às influências externas, estou escutando de tudo, não tenho preconceito e independente do que as outras pessoas tentem influenciar com seus estranhos gostos.

(:

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