Cotidiano.
Para chegar ao trabalho, eu preciso necessariamente pegar o metro e andar alguns poucos quarteirões. Faço isso diariamente. No entanto, hoje aconteceu algo diferente e sensacional. Assim que saí da estação de metrô, reparei que estava tocando a música “Kate Nash – Mouthwash” em meu iPod. Assim que pus o pé para fora da estação perdi o controle do meu corpo, uma alegria preencheu o meu ser e comecei a dançar. A música parecia só aumentar. Fechei meus olhos para direcionar todos os meus sentidos nos instrumentos da música dominar e conceder permissão para que a mesma pudesse dominar o meu corpo e mente. Quanto mais dançava no meio da esquina da Av. Paulista, mais livre sentia-me. Felicidade plena, felicidade absoluta, sem repreensão, sem medo de ser feliz. Mexendo braços e pernas de forma desconexa e caótica, tudo isso alimentado por um grande vigor matinal. Distribuía sorrisos enquanto fazia a minha dança pessoal. Parecia que finalmente meu corpo encontrara uma forma de expressar a sua felicidade, exteriorizar o seu regozijo. Todavia, não era apenas o meu corpo que celebrava a alegria da liberdade, mas mente, alma e corpo estavam em sincronia completa compartilhando do mesmo sentimento de júbilo. Pessoas engravatadas, com pressa e suas preocupações alheias. Vendedores ambulantes que distribuíam os seus produtos caseiros para aqueles que nem tiveram tempo de secar os seus cabelos. Todos estavam assustados com a minha apresentação pessoal, minha celebração individual. Pude reparar muitas reações diferentes, sorrisos, indiferença, susto, entre outros sentimentos que a minha percepção visual não conseguiu reconhecer. Afinal, eu estava em um estado de transe. Saí da estação e caminhei normalmente até o meu trabalho, como todos os outros.
