Frida.
Ontem terminei de assistir “Frida”. Antes de tudo, vamos a incrível sinopse que encontrei na Wikipédia.
Frida é um filme estadunidense de 2002, do gênero drama biográfico, realizado por Julie Taymor. O roteiro é baseado em livro de Hayden Herrera.
O filme retrata a vida da pintora mexicana Frida Kahlo, desde a sua adolescência até a morte. Frida Kahlo foi um dos principais nomes da história artística do México. Conceituada e aclamada como pintora, ela teve também um casamento aberto com Diego Rivera, seu companheiro também nas artes, e ainda um controverso caso com o político Leon Trostky e com várias outras mulheres.
No filme, o marido Diego Rivera representa um mulherengo, e Frida aceita-o pedindo-lhe apenas lealdade, o que não acontece, pois Frida encontra Diego com sua irmã, e então ela pede o divórcio.
Bom, não conhecia o filme e também desconhecia a pintora (infelizmente), porém finalmente pude conhecer-la! Afinal, sempre acho construtivo conhecer alguns renomados artistas, não concorda? Que oportunidade!
Ok, serei sincero, já havia lido um pouco sobre ela antes e também já havia visto algumas de suas obras. Não obstante, ainda tive curiosidade de assistir ao filme, pois assim que li a respeito dela já coloquei filme em minha lista e ontem foi o dia que chegou a vez do filme. (Acredite, essas semanas estavam cansativas para mim. Eu estava psicologicamente exaurido.) De qualquer maneira, vamos as minhas observações do filme.
Logo no começo o que me chocou mais foi o fato dela sofrer o acidente logo no início do filme, isso deve explicar muito do motivo que levou ela a fazer muitos auto-retratos e descrever a sua vida em seus quadros. Aliás, acredito que a vida dela é uma prova do efeito borboleta (obviamente), pois com esse acidente a sua vida se tornou totalmente oposta do que era antes. Perdeu o namorado e iniciou a sua vida no mundo da pintura. Afinal, ela ganhou isso do pai que a incentivou a pintar e ela viu isso como uma saída de ajudar a família de alguma forma, sendo que ela ficara impossibilitada de andar (temporariamente) devido ao acidente.
Acredito que tenha algo bem subjetivo no filme na relação que Frida tem com Diego Riviera. Aparentemente Frida ao se casar com Diego, parece concordar verbalmente e conscientemente do seu jeito mulherengo de ser, mas no fundo Frida não aceita isso e fica claro em muitos momentos do filme. Isso é obvio que acontece com nossas vidas também, uma coisa é você concordar sem presenciar e/ou vivenciar uma situação, porém outra coisa é você presenciar e/ou vivenciar uma situação. Foi o que aconteceu com Frida, logo após o seu casamento, ela brigou com a ex-esposa de Diego no café da manhã.
Logo depois de muitos conflitos pela atitude de Diego ser mulherengo, Frida ainda continuou (e sofreu) com Diego. Porém ela começou a ter muitos outros casos com outras mulheres. A meu ver, Frida começa a ter esses devaneios com outras mulheres pelo motivo de uma possível “vingança” para com o seu marido, ou para contrabalançar a libertinagem de seu marido. Eles não acreditavam na instituição casamento, porém acreditavam em uma ideologia pífia do casamento aberto. Digo isso, pois a ideologia do casamento deles era perfeita, apenas no mundo das idéias. (Essa ideologia foi bem clara quando uma das mulheres faz o anúncio no casamento deles que não acreditava na instituição casamento.) Assim como a Revolução Russa fora perfeita em sua ideologia, porém um fracasso na prática; o casamento deles tinha o mesmo desfecho e turbulências.
Agora que vem a questão que me intrigou. Afinal, se Frida realmente estava sofrendo muito em relação ao seu marido mulherengo (afirmando muitas vezes que pior que a dor física que estava perturbando durante toda a sua vida após o acidente quando jovem era a dor que Diego trazia em seu coração), por qual motivo ela continuou com ele? Frida talvez tivesse a crença que ela era uma mulher diferente de todas as outras que Diego já havia visto e definitivamente era diferente das outras tolinhas que eram tão facilmente persuadidas por Diego. Muitas tentaram ter Diego apenas para elas, porém foram apenas mais uma na vida de Diego. Frida pensou o mesmo e não queria ser considerada apenas mais uma e acredito que apesar de todo o seu esforço, conseguiu o Diego para ela (não completamente, mas boa parte).
Outra coisa que gostaria de destacar é a parte que o primeiro namorado de Frida no filme dá um livro do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), deixando claro o interesse que Frida tinha pelo tal. Segundo a filosofia de Schopenhauer a vida é regida pela dor e o prazer é apenas momentâneo e suprimem a dor temporariamente. Em suma, o cara era o pior dos pessimistas. Veja como no caso da Frida parece algo premeditado em sua vida gostar da filosofia do sofrimento, pois antes mesmo do acidente ela estava “prevendo” ou “preparando-se” para o conformismo da dor constante (física, devido o acidente e sentimental, devido ao marido infiel). Talvez Schopenhauer havia colocado em Frida um espírito do conformismo em sua vida, fazendo que ela nunca desistisse da mesma e batalhasse sempre.
Oh sim! Existe uma cena que marcou muito para mim também. Foi quando Frida perde o seu primeiro filho. Ela exige ver o bebe morto e então começa a pintar o seu próprio filho morto. Acredito que a perda do seu próprio bebe deve ser uma das piores dores que uma mulher pode sentir. Frida expressou essa dor através de um quadro que pintou (aliás, todas as suas pinturas parecem descrever a sua vida). Diego viu o quadro e não tirando o olhar do quadro, sentou no corredor do hospital chorando. Acredito que Diego nessa cena conseguiu ter a empatia e sentir também a dor de sua mulher, afinal uma imagem não diz mais que mil palavras? Sem contar que ele era artista e pôde ter uma visão crítica que sua esposa havia desenhado naquela tela. Essa foi (se eu não me engano) o único momento que Diego chorou no filme.
Como citei no começo, o filme é baseado em um livro da Hayden Herrera. Não li o livro e não posso dizer com quanto de fidelidade o filme descreveu o livro. Não somente isso, mas a minha interpretação pode estar errada também. De qualquer forma, o filme é ótimo. Cores vivas e trilha sonora marcante. Vale a pena ver. (:
