denislee


Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

www.flickr.com

Efeito dominó mortal.

Depois de ler “Confissões” de Agostinho (o que faz um tempo já), vieram muitas questões teológicas em minha mente. Um dos questionamentos interessantes que Agostinho fez logo no começo de seu livro foi: Deus já planejou as pessoas antes mesmo que elas existissem? Ou simplesmente as pessoas vão nascendo e elas são criadas de acordo com a passagem do tempo? No caso, as almas das pessoas existem antes do corpo que um dia habitarão?

Obviamente que sabemos que Deus é atemporal, por esse motivo não dá para asseverar se Deus tinha consciência de determinadas vidas ou se têm consciência das almas que virão; isso seria restringir a mente Divina na limitação temporal. O tempo e o espaço estão ligados intimamente. Uma das provas é que para um objeto estragar no espaço (físico), precisa necessariamente da passagem do tempo; da mesma forma funciona a mente humana, para esquecermos de algo, precisamos necessariamente da passagem do tempo também. Em suma, dizer que Deus já conhecia você antes mesmo de você nascer, não diz exatamente onde na linha do tempo as almas são criadas, ou se já foram criadas. Afinal, Deus está fora dessa linha, assim como todo o seu conhecimento (que não pode ser adquirido ou perdido; e o tempo é um ingrediente essencial para adquirir ou perder conhecimento).

Seguindo a linha de raciocínio que temos o livre-arbítrio e a nossa percepção limitada do tempo (ou seja, tudo que temos consciência precisa estar necessariamente atrelada ao tempo para fazer algum sentido real), surgiu-me um pensamento em um caso hipotético.

Vamos fingir que você decide matar uma pessoa. Você consegue matar essa pessoa (vamos ignorar os fatores de dificuldades geradas pela obtenção de armas ou outras dificuldades penais que poderiam dificultar a sua ação), pois possui o livre-arbítrio, toma essa decisão. Então, coloca o estratagema em prática e elimina a existência daquela vida no plano físico, ou seja, ulteriormente a morte da sua vítima ela não passará a existir na linha do tempo. Ok. Agora entra a questão crucial!

Com a suposição de que Deus criou todas as almas antes mesmo de criar a Terra, você estará matando mais de uma pessoa quando concretizar essa decisão do parágrafo anterior. Por quê? Pois estará matando não só a pessoa, mas como toda a geração dela; ou seja, toda a sua arvore genealógica será extinta (que teoricamente deveria existir antes da prática do seu assassinato). Assim você elimina não só uma pessoa, mas todas as outras almas criadas para serem incorporadas futuramente seguindo a geração daquela pessoa que você assassinou. Veja que mesmo sem essa suposição de Deus criar todas as almas anteriormente, ainda sim estaria impedindo de outras pessoas nascerem. Assim posso concluir o “efeito dominó mortal” é sempre válido!

Visto a minha teoria do “efeito dominó mortal”, a forma mais sensata de amenizar o genocídio, é matar alguém que é estéreo. Pois assim não estará assassinando toda a possível geração da vítima indiretamente, apenas uma pessoa.

Comments
blog comments powered by Disqus