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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Casal no cinema.

Em uma de minhas aventuras nos cinemas pude constar um fato trouxe-me uma interessante reflexão. Antes, darei os pormenores para deixar você – meu caro leitor – bem a par da situação.

Fui ao cinema assistir uma daquelas comédias românticas bem no meio da semana (mais especificamente, quarta-feira; devido ao preço e entre muitos outros milhões de motivos que você já deve saber). Sei que esses filmes não são tão bacanas assim de assistir em relação ao conteúdo, não obstante, é ótimo para passar um bom tempo, relaxar e dispensar o uso do cérebro. (Aliás, efeito semelhante acontece quando assisto aos filmes de ação.) De qualquer maneira, sentei e comecei a assistir ao filme. Porém, no meio do filme reparei que existia um casal de velhinhos bem a minha frente. O cinema estava bem vazio (provavelmente devido ao dia da semana) deixando assim a presença deles nitidamente visível. Não só reparei na presença deles, mas pude perceber a troca de carinhos que ambos realizavam. Isso que me intrigou ainda mais.

Posso não saber se eles brigaram e aquele gesto de ir ao cinema era uma forma simbólica de reconciliação, ou quanto tempo eles estavam juntos, ou se eram casados realmente, ou etc. Só sei que a cena que eu testemunhei (além do interessantíssimo filme), foi singular devido à reflexão que veio a seguir.

Nossas relações afetivas nesse mundo pós-moderno estão cada vez mais fragilizadas e superficiais. O número de casamentos cresce de acordo que os números de divórcios crescem também. A provável causa de toda essa facilidade que temos de trocar nossas amizades e companheiros é reflexo da economia. Vivemos no capitalismo, ou seja, nossas vidas parecem serem regidas pelo dinheiro; em suma, pelo nosso trabalho/emprego. Todavia nossos empregos estão cada vez mais instáveis, ao contrário dos tempos antigos onde era comum conseguir estabilidade em uma empresa privada, agora apenas emprego concedido pelo Estado é possível tal façanha da estabilidade. Com a tendência dos empregos se tornarem cada vez mais mutáveis, estamos vulneráveis a ter relacionamentos mutáveis também. O simples fato de termos cada vez mais casamentos tardios em função da busca da estabilidade financeira por ambos (tanto homem como a mulher) e instabilidade em empregos (pois, amanhã mesmo você poderá estar desempregado), corroboram a ligação entre matrimônio e o trabalho.

A questão é, será que ficará cada vez mais rara essa cena de um casal de velhinhos logrando do longo relacionamento que tiveram? De tantas experiências que passaram juntos? Meu prognóstico é que se torne cada vez mais rara essa cena, caso a sociedade venha continuar a tomar esse rumo que vem escolhendo; onde quem conseguir realizar tal façanha de perdurar com uma relação duradoura, poderá ser considerado um herói (ambas as pessoas, afinal, estamos falando sobre casais).

Assim que terminei de assistir ao filme, continuei prestando atenção naquele casal e pude concluir: considerei-os já como vitoriosos e heróis.

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