Dar esmola ou não dar esmola?
Já realizei esse debate com muitas pessoas e aparentemente quase nunca cheguei a um consenso, pelo menos na maioria das minhas discussões. A questão é a seguinte, sempre que andamos pelas ruas (aqui de São Paulo) é comum encontrar alguém pedindo esmola. Não só isso, mas em semáforos também. Assim como existem ambulantes em ruas movimentadas e famosas (e.g., Av. Paulista). Quero deixar aqui os meus pontos de vistas e outras questões importantes (i.e., detalhes) que acredito serem relevantes para uma discussão mais profunda nesse tema.
Quando você encontra um pedinte na rua, qual a sua reação? Ignora-o como se não existisse? Sempre que possível dá uma esmola? Fica na dúvida? Fica com medo? Poizé!, são inúmeras as reações possíveis, porém, quero levantar essa questão no ponto de vista cristão.
A resposta mais comum quanto à questão “dar ou não dar esmola” que escutei na igreja foi sempre a seguinte:
“Sempre dê esmola. Pois, essa é a sua responsabilidade central, ajudar os necessitados. Se ele vai comprar drogas ou inebriar-se, não é de sua responsabilidade. Você fez a sua parte (dando esmola) e obedeceu ao mandamento de Deus; a outra parte (por parte do pedinte) cabe a ele decidir e será de total responsabilidade dele.”
Afinal, será essa a resposta é tão simples assim? Veja que essa argumentação bate de frente com a explicação que muitas pessoas não dão esmolas dão. Explicam que sabem do mal uso do dinheiro por parte dos pedintes e, por esse motivo, negam a entrega da pecúnia.
Tive essa reflexão mais profunda depois de ler a reportagem da Veja São Paulo (19 de Agosto de 2009).1 O título da reportagem é “Profissionais da esmola”. A reportagem denuncia casos onde a mendigância [sic] virou profissão. Pessoas que já conseguiram certa estabilidade financeira e ainda recorrem a esmolas nas ruas de São Paulo. Perduram com essa prática, pois é rentável e vicioso para eles.
Dessa forma, abri os olhos e percebi que a questão da esmola não é tão simples assim. Para mim, aqueles que simplesmente “remediam” a situação com uma regra básica de “sempre dar esmola” em suas vidas (quando são deparados com essa questão), estão na realidade tirando o corpo fora; ou simplesmente lavando as suas mãos. Uma fala que pode exemplificar bem o que eu estou querendo dizer é: “Olha, está aqui o seu trocadinho. Agora, vê se some da minha frente e da minha vida. Não apareça mais aqui.” (claro que exagerei um pouco na fala. Hehehe.). Veja que nessa atitude a linha de divide um grupo social de outro grupo social ainda existe. Essa esmola poderá suprir as necessidades momentâneas do pedinte, e quanto aos outros dias? Não existe compaixão quando já estamos agimos de forma maquinal, quando essa regra já se tornou inconsciente e axiomática em nossas vidas.
Pois bem. Pense comigo agora. Aparentemente (maquinal ou natural), estamos ajudando a pessoa, independente de nossa intenção, correto? Eu não teria completa certeza. Essa reportagem mostra que existe a possibilidade de alimentar ainda mais esse ciclo vicioso e esse ”nicho de mercado” dos pedintes. Literalmente estamos sendo cúmplices ao incentivar a ilegalidade. Então, se analisarmos profundamente a questão, na realidade, podemos sim prejudicar essas pessoas dando esmola! (Por mais incrível que pareça. Leia a reportagem que você poderá enxergar melhor esse ponto de vista.) Devemos tirar esse paradigma em nossos pensamentos de que existe apenas o benefício na atitude de sempre dar esmola.
Será que o nosso compromisso como cristão acaba só na atitude de oferecer esmola? Será que não é de nossa responsabilidade se estimulamos essas pessoas a perdurarem nesse estado letárgico? É correto encorajar eles a nunca enfrentarem uma labuta? Duvido.
Porém, eu já possuo uma posição quanto a isso. A resposta para essa questão “dar ou não dar esmola” é a empatia. Com isso, tira qualquer possibilidade de regras gerais e axiomáticas em nossas vidas; sendo assim, a resposta pode ser “sim” ou “não”. Depende totalmente da situação e das pessoas envolvidas. Basta existir discernimento na pessoa com que você está lidando. Existirão casos onde é possível identificar no olhar de uma pessoa (incluindo todos os outros processos cognitivos na transmissão de informação) se existe sinceridade ou não. Nessas horas a melhor ferramenta é a sabedoria e não mais alguma regra básica e simplória que nos faz cair em um engano.
Sinceramente, não gosto quando pessoas estipulam certas regras em nossas vidas e na delas próprias. Acho um equivoco; sem contar na falta de raciocínio do indivíduo.
É isso. Essa é a minha posição. (:
l http://vejasaopaulo.abril.uol.com.br/revista/vejasp/edicoes/2126/profissionais-esmola-491734.html
