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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Aleatoriedade.

A: Esse negócio de aleatoriedade é fascinante, não acha?

B: Fascinante? Por que diz isso?

A: Digo isso, pois na natureza ainda se revelam muitos padrões. Como poderíamos resumir movimentos, reações físicas em simples fórmulas? Lembro-me das equações de Maxwell. Não é elegante como o eletromagnetismo é resumido em quatro equações simples?

B: É mesmo. Isso sim é elegante. Aliás, não é esse o significado da palavra “cosmo”? Um universo ordenado, que possui uma ordem. Ao contrário do “caos” onde não existe organização nenhuma. Acha mesmo que os físicos um dia conseguirão encontrar a tal unificação de todas as leis da física em uma única fórmula?

A: Poizé. Antes mesmo de a física quântica existir (ou seja, antes de 1900), acreditava que existia alguma possibilidade dessa proximidade tanto quanto Einstein achava em seus sonhos (1925-1955). Porém, acredito que no começo quando ele começou a ter esses sonhos malucos, só existiam a sua teoria relatividade geral (que era a sua teoria da relatividade reformulada para ser compatível com a gravitação newtoniana) e o eletromagnetismo. Você sabe, assim que surgiu esse negócio maluco do mundo subatômico, Einstein deve ter ficado maluco para falar que Deus não joga dados. Eu fiquei maluco também.

B: Então acha que não existe chance da unificação acontecer? Digo, mesmo se não existisse a limitação do tempo, será que um dia conseguiremos chegar à Teoria de Tudo?

A: Sinceramente? Acredito que não. Mesmo as teorias que se aproximam à Teoria de Tudo são mais questões filosóficas que questões científicas. Não dá para provar nada e duvido muito que um dia dê para provar algo. As únicas coisas que fazem é criar possibilidades de universos paralelos que, honestamente, é bobagem para mim. Isso é aproximação com simplificação da metafísica usando jeitinho brasileiro. Não acha? Posso estar errado, não sou físico para saber essas coisas. Hahaha.

B: Ta, você acha que não dá para chegar à unificação. Mas parece que você não entendeu o meu último parâmetro da questão que eu levantei. Mesmo se tempo não fosse um fator limitante? Certeza que não chegaremos a essa tal fórmula?

A: Não. Não vê a profundidade disso? É como você encontrar uma função precisa para a variação da bolsa de valores; é como você querer prever e encontrar um padrão no balançar do fogo de uma vela. Eu não estou falando de aproximações estatísticas, mas de uma fórmula precisa. Não chegaremos isso nem que tivéssemos todo o tempo do mundo. Apesar de existir ordem no mundo macroscópico o mundo microscópico é o que rege. Vemos as coisas de modo grosseiro, nada sabemos na realidade. Vivemos pior que na caverna de sombras de Platão.

B: Mas, as fórmulas do mundo macroscópico não funcionam perfeitamente? Não são precisas? Então.

A: Retirando a questão metafísica de que nossos sentidos possam ter algum problema na captação da informação, ainda sim não acho que essas fórmulas sejam tão precisas assim. Sempre existe o acaso. E o mais fascinante é que isso que faz o mundo funcionar, o mundo subatômico. É o não entender que faz o Universo ser tão elegante. Afinal, se soubéssemos o amanhã que graça teria a vida? Afinal, não estamos aqui para ao menos viver?

B: É, né? Espero que nunca encontrem a tal unificação. Ainda quero viver. Quero ver graça nesse mundo, quero sentir a curiosidade de querer saber as coisas. Seria como estragar o prazer que assistir ao filme contando o final, mas não só o final, como todo o processo até chegar ao fim. Isso seria bem chato. Acho que chegamos a um acordo. A aleatoriedade é fascinante.

A: É, foi o que eu disse. (:

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Eu converso comigo mesmo. Cansei.

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