Pedagogia da Autonomia
Adoro quando leio um livro que foi recomendação de algum amigo(a). Foi exatamente isso que aconteceu agora! Li um livro de uma pessoa que admiro bastante (apesar de não ter intimidade com a pessoa), pois ela fez pedagogia! Simplesmente o curso que eu acho essencial para a continuidade da existência humana, do saber e do conhecer. Obrigado Laiza! (:
O livro que ela me recomendou (dentre alguns outros que ela já havia me recomendado anteriormente) foi “Pedagogia da Autonomia”, de Paulo Freire. ADOREI!
A Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire é um livro de poucas páginas, mas de uma densidade de idéias pouco vista em qualquer outra de suas obras. Este poder de síntese demonstra sua maturidade, lucidez e vontade de, com simplicidade, abordar algumas das questões fundamentais para a formação dos educadores/as, de forma objetiva. Sugere práticas e mostra a possibilidade dos educadores/as estabelecerem novas relações e condições de educabilidade deles/as entre si, dentro de cada deles/as mesmos e com os seus educandos/as. Com respeito e rigor, sem prescrições ou regras a seguir. Entendia que essas posturas pessoais e epistemológicas possibilitam a abertura à cognoscibilidade, à intenção de gerar a apreensão, compreensão, apropriação do saber.
Sua linguagem é poética e política. Calma, tranqüila e, ao mesmo tempo, inquieta, problematizadora e exuberante a serviço do pensar, do decidir e do optar para a ação transformadora. Demonstra perseverança, ousadia e crença nos homens e nas mulheres e na educação autentica como caminho necessário para a JUSTUICA e PAZ. Nesse livro Paulo faz, na verdade, um chamamento aos educadores/as para com ética crítica, competência científica e amorosidade autêntica, sob a égide do engajamento político libertador ensinarem aos seus educando/as a serem Seres Mais.
Nesse texto Paulo vai tecendo e re-tecendo, passo a passo, suas idéias como fios condutores a autonomia e a libertação. Sentimos ao lermos este livro o seu corpo consciente presente, o seu corpo já tão frágil, com a mesma força de sua cabeça esclarecedora e justa. A sua voz terna e mansa falando apaixonadamente de suas convicções. Suas mãos firmando a esperança que jamais abandonou. O seu escutar traduzindo a sua postura de humildade presente nas referências aos que com ele dialogou para escrever este livro. O seu olhar está o tempo todo voltado para todos e todas que ousam ensinar-aprendendo.
Quanto mais nos aprofundamos na leitura da Pedagogia da Autonomia mais percebemos que Paulo se fez texto! O seu bem querer pelos seres humanos, a gentidade de seu eu pessoa/eu educador e a sua fé na educação está vivamente presente, evidenciando ter sido ele um apaixonado pelo mundo e pela VIDA.
Pedagogia da Autonomia não é um livro a mais da extensa obra de Paulo. É o livro que sintetiza a sua pedagogia do oprimido e o engrandece como gente. É o livro-testamento de sua presença no mundo. Ofereceu-se nela por inteiro na sua grandeza e inteireza.
Nita
Ana Maria Araújo Freire
Doravante você encontrará apenas as minhas anotações e observações que chamaram a minha atenção no livro.
(pg. 16) Paulo mostra com clareza uma argumentação em relação à ética e o posicionamento que o professor deve possuir ao citar a obra de outra pessoa. Não deve expressar um julgamento parcial da obra, passando uma imagem de julgamento pessoal para os alunos, nesse caso o papel do educador é apenas transmitir a informação com neutralidade e não condicionar os alunos a ter um julgamento idêntico do educador. Os alunos precisam das informações (i.e., ferramentas apresentadas pelo professor), mas cabe a eles realizarem o julgamento.
(pg. 19) Nessa página existe uma idéia que Paulo cita e re-cita diversas vezes em seu livro. Acredito que seja a primazia da sua filosofia de vida como educador e profissional. Ele cita que todos nós somos seres condicionados e não seres determinados, ou seja, podemos sofrer influências externas: sociedade, genética, economia, cultura e tudo mais; porém isso não significa que somos seres determinados e fadados a ter um destino certo e previsível.
Definitivamente não somos predestinados a um determinado julgamento realizado por qualquer pessoa. Esses julgamentos apenas dão vazão para o nascimento de pensamentos preconceituosos.
Concordo plenamente com o Paulo e, com certeza, nunca poderemos dizer que uma pessoa é fracassada pelo fato de ter nascido de uma determinada forma; por esse motivo a sua sina ser o fracasso completo, uma vida de sofrimento até o fim. Obviamente que temos influência dos genes e assim como a sociedade também pode influenciar nos traços de nossa personalidade (como é discutido no livro “Tábua Rasa”, de Steven Pinker – hei de ler esse livro), ou seja, podemos ser condicionados, mas isso nunca implicará um destino determinado e inexorável. Principalmente se esse destino for escrito pelo julgamento torpe de alguém sem instrução e preconceituoso.
Acredito que todas as pessoas possuem capacidades igualmente distribuídas por Deus. Por esse motivo, não acredito em talento inato (no dicionário Houaiss a palavra “talento” está com a seguinte definição: “aptidão, capacidade inata ou adquirida”), ou seja, característica inerente à pessoa. Consultando o meu lado cético, a diferença que temos entre uma pessoa e outra são apenas os gostos e curiosidade em áreas diferentes. Por exemplo, eu posso gostar de estudar música, mas já você não pode não possuir tanto interesse como eu possuo. O motivo de algumas pessoas tocarem bem um instrumento é porque tiveram interesse em estudar o instrumento e não porque nasceu com essa aptidão. A teoria das 100 mil horas dos mestres dos violinistas corrobora com a minha argumentação. Em suma, nada mais que treino e não talento inerente. Treino que é adquirido e motivado puramente pelo interesse da pessoa. Você adquire esses talentos/aptidões com treino/prática, o que vai exatamente contra a idéia de talento inato a uma pessoa (e.g., quando alguém fala: “Poxa, você nasceu para tocar violão”), que eu considero uma falácia.
Tão fundamental essa idéia que, com base nessa minha crença, conseguimos eliminar qualquer tipo de preconceito criado pelos homens. Já teve alguns estudos que escandalizavam e tentavam dar base ao preconceito e discriminação. Posso citar alguns como exemplos.
[1] Existe a falácia de que os orientais são bons em matemática, porém isso não passa de uma quimera, não existe nada de genético aí que justifique essa facilidade da matemática pelos orientais (se fosse, aí sim talvez fosse motivo dos orientais se vangloriarem e se considerarem fadados a serem melhores na área de exatas assim que nascem), porém é apenas o sistema de contagem que utilizam na sua língua oriental que facilita as contas. Tente fazer conta utilizando algarismos romanos, é quase impossível, o que é contrário com a contagem árabe que utilizamos. É ainda mais fácil se utilizarmos uma linguagem oriental onde a sintaxe facilita a visualização dos números (pois a semântica é idêntica) para a prática das contas.
[2] Uma das pesquisas mais polêmicas nos Estados Unidos na época da apartheid foi quando dois cientistas fizeram um estudo para provar que os negros possuem QI abaixo das pessoas brancas. Esse estudo apontava essa “inferioridade” dos negros como um fato verdadeiro, tendo como base as pesquisas que realizaram em escolas. Isso era a “justificativa” para dar tratamento inferior às raças “inferiores” e que futuramente seria reforçado pela lei nos Estados Unidos. Porém a causa dos negros possuírem QI inferior aos brancos nessa pesquisa, era exatamente a falta de oportunidade que os negros tinham de estudar, sendo assim um estudo covarde e sem fundamento, tirando assim a validade da pesquisa. Porém, pessoas desinformadas acreditaram nessa pesquisa que a utilizaram para justificar a discriminação irracional. (Faz um tempo que vi isso em um documentário na TV. Tenho um livro que explica melhor o ocorrido, porém ainda não li. Hihihi.)
Definitivamente vejo que TODAS as pessoas possuem um potencial igual, a única coisa que pode diferenciar entre uma pessoa e outra é se essa pessoa já conseguiu identificar a sua área de interesse (ou seja, onde a sua curiosidade foi mais aguçada) ou não. Esse é o papel fundamental do professor: direcionar a pessoa se descobrirem, livre de preconceitos ou de falsas idéias em relação ao determinismo que podem levar ao preconceito e discriminação.
(pg. 22) “Ensinar não é transferir conhecimento”.
Muitas pessoas ainda possuem essa visão de você como educador deve apenas conectar um cabo entre você e os alunos e transmitir dados, assim como você passa um arquivo do computador para um CD. Afinal, se fosse apenas para transferir conhecimento, não passaríamos de meros robôs que armazenam informações. Por esse motivo o importante do educar é educar as crianças serem mais curiosas e descobrirem que elas podem descobrir coisas! Esse fato é fundamental, pois a curiosidade (acredito) que seja uma característica inerente ao homem. Em suma, quando mais curioso você for, mais humano você será. Isso que traz a inquietação, isso que traz a busca pela informação, pelo crescimento e pela verdade. Isso que traz a maturidade e a busca da completude de um ser vivente aqui na terra.
Uma boa forma de ilustrar isso é exatamente a diferença que nós temos dos computadores/robôs. Nós temos a curiosidade, a criatividade, algo que as máquinas não possuem. Imagine uma criança que apenas recebe informação de forma metódica e de forma apática; de nada adiantará. Porém, caso ela consiga descobrir a sua capacidade de pesquisa, de descobrir as coisas, de processar as informações, será mais humana, mais gente. Não somos máquinas, somos pessoas, assim como os professores e alunos também são.
Acredito que essa citação é algo que vai mais além do que aquele velho ditado que diz: “Não dê o peixe, ensine a pescar.”. Pois dessa forma, não estamos nem ensinando a pescar, mas explicando o motivo da atitude de pescar, fazendo com que ela descubra como pescar e que consegue pescar!
(pg. 29) Diz a respeito da pesquisa contínua do professor. Cada professor obviamente que precisa se manter atualizado durante a sua vida inteira, sempre dedicar-se na pesquisa e em seu aprimoramento. Não só em relação ao seu conhecimento que deverá ser aperfeiçoado, mas também como testemunha viva que somos seres incompletos e que estamos sempre curiosos em busca de informação. Dessa forma, o professor não só poderá transmitir verbalmente que a curiosidade é inerente ao homem, como também poderá transmitir com o seu viver.
Talvez seja complicado dizer uma coisa enquanto a sua vida não é exatamente o que você fala. Isso, com certeza, fica expressa nos alunos.
(pg. 34) “faça o que eu mando e não faça o que eu faço.”. Ser professor, no meu ponto de vista, reflete não apenas como uma mera profissão, mas sim como uma filosofia de vida; onde o profissional entrega não só o conhecimento, mas parte da sua vida para que eles (i.e., os alunos) possam ter futuro.
Vejo isso quando leciono as aulas de estudo bíblico em minha igreja. Mais do que apenas palavras, eles testemunham a minha vida. Acredito que isso que vá marcar a vida deles e isso que eles se lembrarão quando não existir mais o estudo; do caráter do professor e de sua personalidade.
(pg. 43) Nessa página o autor dá um testemunho muito importante de como cada gesto do professor é importante. Conta que o professor entregou uma atividade para ele e o professor fez um singelo gesto com a cabeça durante a entrega da atividade, gesto que demonstrava respeito e consideração a ele. Isso - conta o autor - foi um gesto que marcou para a sua vida inteira (tanto que ele descreveu esse episódio em seu próprio livro) e forneceu confiança a ele naquele momento.
Existem inúmeros estudos que dizem que a transmissão de informação que uma pessoa pode passar pela outra está exatamente nas atitudes não verbais (e.g., gestos).
(pg. 53) Adorei quando o autor fala que todos nós somos seres inacabados, ou seja, podemos ser condicionados o que não implica em nossa completude e muito menos no determinismo futuro. Ser inacabados e ter consciência disso, diz a respeito que ainda temos escolhas para mudar (apesar das influências externas). Não somente isso, mas também diz que estamos em constante aprendizado, nunca seremos seres conclusos.
Acredito que exista na inconclusão pessoal de todos os seres humanos: o aspecto do conhecimento, assim como no aspecto na participação pessoal da História. Assim como sempre temos algo para aprender (dando espaço para a humildade) e que sempre precisamos adquirir conhecimento, também temos a escolha de escrever nossas histórias pessoais.
Mais uma vez o autor deixa claro que não temos a fatalidade de seguir apenas um caminho, mas historicamente também somos inconclusos.
(pg. 57) “Não há o que fazer, o desemprego é uma fatalidade do fim do século.”. Essa é a citação que o autor julga como errada, e com razão.
Essa citação vai exatamente contra a inconclusão de nossas histórias, a participação de cada pessoa com suas histórias para fazer parte do quadro geral da História. Todos nós podemos mudar, temos a liberdade de mudar e não vivemos segundo linhas já escritas para nós, mas nós decidimos que linhas seguir (ou não seguir).
O maior problema dessa citação é a crença da pessoa não possuir liberdade de escolha, de não poder decidir sobre o seu destino, sobre seu futuro. Baseado nessa crença a pessoa se reprime e entra em uma zona de conforto e conformismo. Sendo assim, achando-se como vítima de um poder maior que escreve a sua história, que com o passar do tempo, provavelmente, isso se tornará a sua justificativa para perdurar nessa espiral quimérica, “sine die”.
(pg. 58) Mais uma vez o autor reitera que a consciência que somos seres inacabados que enseja o processo permanente de aprendizado. Não só isso, mas desperta a curiosidade e traz a liberdade do ser.
(pg. 61) O autor dá uma descrição correta em relação à autoridade que o professor precisa ter ao aluno. Uma vez que é perigosa a restrição e a repreensão do aluno, pois poderá limitar o mesmo de pensar, utilizar a sua criatividade, restringir na sua peregrinação da sua capacidade, ou seja, da sua autonomia.
Nesse trecho o autor diz para consultar o “bom senso” do professor, assim ele saberá quando deve dar uma dura no aluno ou não. Porém, acredito que o autor não foi muito feliz na palavra utilizada, digo, o termo utilizado. Não acredito que o professor tenha que usar o seu “bom senso”, uma vez que o “bom senso” é algo relativo em todas as formas. Ao contrário do “senso comum”, o “bom senso” é pessoal, cada um possui o seu “bom senso”. Sendo assim, a probabilidade do professor errar ao tomar como base de suas decisões críticas o seu próprio “bom senso”.
Não sei exatamente a definição do “bom senso”. Talvez dê pra aprimorar através de conhecimento e futuramente esse conhecimento vire sabedoria. Assim aprimorando o “bom senso” do professor e consequentemente o “pensar certo” que o Paulo Freire destaca no começo do livro.
Eu interpretei nesse trecho o termo “bom senso” como empatia. É de fundamental importância o professor ter empatia com os alunos, uma qualidade complicada e que precisa de um bom tempo até que a pessoa possa ter a empatia correta. Primeiramente o educador precisa conhecer a si mesmo, os seus sentimentos (pois sem conhecer os seus sentimentos, como poderia conhecer os sentimentos de outra pessoa?) e dessa forma conseguir entender os sentimentos do aluno. Enfim, depois desse estágio de conhecer e entender os sentimentos do aluno, o professor consegue fazer a sua escolha certa e aplicar a autoridade de maneira correta.
Acredito que a empatia seja algo tão importante, pois é nela que não temos o uso de fórmulas mágicas. Com ela sabemos respeitar a individualidade de cada pessoa, sabemos que cada pessoa é diferente e deve ser tratada de maneira diferente. Característica que eu acho fundamental para qualquer educador.
(pg. 65) Trecho do livro: “As qualidades ou virtudes são construídas por nós no esforço que nos impomos para diminuir a distancia entre o que dizemos e o que fazemos.”. Isso me lembrou uma citação do Gandhi: “Felicidade é quando o que você pensa, sente, fala e vive estão em harmonia.”.
(pg. 66) Curioso como o autor nesse trecho fala das reivindicações dos professores em relação aos salários e a infra-estrutura cedida pelo Estado para que eles possam “trabalhar”. Suponho que o autor tenha uma idade avançada e isso acaba corroborando o fato que o Brasil sempre desvalorizou o ensino, que esse problema é de longa data. Algo triste, a meu ver e julgamento.
(pg. 71) Exemplo e testemunho do autor que apresentou neutralidade em relação a um assunto polêmico (os sem terra) perante um aluno universitário. Interessante. (:
(pg. 74) Cita o testemunho de um professor que só depois de enxergar as fotos dos arredores da escola onde trabalhou sempre, pode constar o quanto essa falta de consciência da necessidade da população acabou prejudicando no seu trabalho como professor naquela escola. Isso mostra como é fundamental a conscientização do professor em relação ao que se passa lá fora, verificar a realidade que o aluno vive (dessa forma, auxiliando em seu poder empático também), e pelo o que o mundo passa. Compreender o que está a sua volta, também é compreender a si mesmo como as outras pessoas.
Não só para compreender a si mesmo, mas também para sair do conformismo principalmente se tiver algum problema fora da escola. Sair do seu mundinho sem problema algum para que dessa forma possa tomar alguma atitude para mudar e resolver o problema que pode estar fora da sala de aula. Não só isso, mas também para transmitir a solução para os alunos e sua busca da verdade e ser prova viva de que existe algum lutando. Sendo assim uma imagem e modelo para os alunos possa seguir.
(pg. 82) Nesse trecho é possível ver a mudança da posição de vitimização para alguém que toma atitude e sai da zona de conforto e conformismo.
(pg. 84) “Programados para aprender.”. Adorei essa citação que ele retirou de um livro francês (cujo nome eu já não me recordo mais). Se somos programados de alguma forma, essa forma de programação é de ter liberdade de aprender.
(pg. 88) “O exercício da curiosidade evoca a imaginação, a intuição (…)”. A curiosidade é muito importante e já descrevi a sua importância nos parágrafos anteriores, porém quero destacar que isso fica muito visível quando lemos obras que discutem o comportamento social. Livros como, por exemplo, “1984” e “Admirável Mundo Novo” que retratam na ficção um futuro utópico onde todas as pessoas se tornam como “robôs” programados e predestinados. Porém, sempre surge um personagem que se humaniza exatamente por essa característica da curiosidade, isso faz com que ele desperte; saia do seu estado letárgico.
(pg. 105) Nesse trecho existe a citação do Regime Militar. Quando li isso, lembrei que a Ditadura militar no Brasil (1964-1985) foi algo recente e, com certeza, o autor acabou vivenciando e testemunhando parte disso. Reparei que o livro condena a atitude de educadores autoritários na sala de aula e tem muita cautela ao informar qual a melhor maneira que o professor deve se comportar perante aos alunos na hora de repreender o mesmo. Não só pelo fato do perigo de limitar o aluno, mas provavelmente teve influência do regime militar que o autor sofreu nas mãos de professores autoritários. Bem, pelo menos é disso que eu desconfio, afinal, eu sou péssimo em história. Hahaha.
(pg. 109) “Tia não, professora sim.”. Diversas vezes ele cita trechos de um livro que ele escreveu que possui esse título. Afinal, por que tia não e professora sim? Não entendi e receio que eu terei de ler o livro para poder entender. Hehehe.
(pg. 119) Escutar o aluno, com toda certeza, é importante, quiçá fundamental. Afinal, esse é um dos ingredientes necessários para a prática da empatia. Devemos utilizar de todas as formas para fazer o levantamento do sentimento que o aluno tem, de suas dificuldades, de seus medos, para que assim possamos tratar da melhor forma.
Aliás, reparei que o autor muitas vezes diz “mulheres e homens” quando faz referência a todas as pessoas. Porém, sempre tenta colocar as mulheres antes que os homens. Não só isso, mas em um dos seus livros o título é “Tia não, professora sim”. Em suma, na minha percepção o autor quer dar maior ênfase às professoras. (Sim! As mulheres!) Sei que estatisticamente devem existir mais professoras (mais no Ensino Fundamental) que professores, mas deve existir um fator mais profundo em relação a essa ênfase. Desconfio que as mulheres possuam maior poder de empatia que os homens e a base da minha argumentação é o fato das mulheres receberem maior incentivo a sua inteligência emocional quando pequenas. Quando o menino cai e se machuca, os pais falam para ele não chorar e se levantar, porém, quando o mesmo ocorre com a garota, recebe todo apoio sentimental necessário e rapidamente é socorrida. Dessa forma, a mulher consegue amadurecer mais rapidamente em relação ao lado afetivo, ao contrário do homem. Bem, essa é a minha explicação para o autor dar mais ênfase nas professores que nos professores. Hehehe. (:
(pg. 129) Autor cita Marx e diz que leu “O Manifesto Comunista”. Tenho quase certeza (quaaaaase) que ele é esquerdista e demonstra a sua raiva do capitalismo. Respeito o posicionamento do autor, porém eu possuo uma posição neutra em relação a isso. Sei que o comunismo pode ser quase perfeito em relação a sua ideologia, com suas bonitas palavras e de um mundo utopicamente perfeito. Porém, já não precisamos mais de provas históricas (e.g., Revolução Russa) de que na prática também não funciona e sempre a cobiça humana em relação ao poder acaba ganhando e atropelando qualquer ideologia bonita e filosofias empoladas. Uma linda explicação disso é o famoso livro do George Orwell, “A revolução dos bichos”.
Obviamente que não estou no lado capitalista, defendendo o mesmo apenas devido a minha argumentação contra o socialismo. Não acredito que exista sistema melhor ou pior; todos são horríveis a meu ver. Hahaha.
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Agora já sei o motivo desse livro ser uma referência na pedagogia. Dá uma visão de responsabilidade enorme nas mãos de quem ensina que a sua responsabilidade não se limita apenas na sala de aula, mas uma preocupação da cidade em que vive, do estado em que vive, do país em que vive, do planeta em que vive. Sua responsabilidade social, suas atitudes refletirão o futuro, pois as crianças/adolescentes estão em suas mãos e elas são o futuro.
Ao terminar de ler esse livro só aumentou a minha admiração pelos professores e de quem fez essa área. Mesmo comparado com uma hipotética ONG que ajuda os desabrigados, restaurando suas necessidades de maneira momentânea, o papel dos educadores vai além, não dá esmola, dá futuro. Não é uma sede que é saciada de maneira passageira, mas algo permanente. Ensina a viver.
Missão dos professores é dar futuro, ter a esperança que é possível mudar o mundo, mas mudar para melhor. (:
Ok, posso ter exagerado, mas a profissão que eu mais admiro é de professor. (E a profissão mais de nerd é a de físico.)
Lá lá lá. É isso.
