E-mail e IM.
Há algum tempo atrás que eu e meu amigo tivemos uma conversa interessante sobre o uso de IMs (i.e., Mensageiros Instantâneos, em inglês Instant Messengers) e e-mails. Ele comentou que na época que ele utilizava o ICQ (Não sabe o que é? Coisa do passado. Meu amigo tem a mesma idade que eu e em um tempo muito remoto antes do MSN o IM mais famoso era o ICQ – pelo menos aqui no Brasil e de acordo com as minhas percepções passadas) as conversas eram bem mais interessantes e profundas, ao contrário do presente onde as pessoas são mais retraídas e acanhadas ao conhecer novas pessoas através da internet. Outro fator comentado foi que o grupo de pessoas online era astronomicamente maior que o tempo que as pessoas passam online hoje em dia no MSN. Concordei com a análise dele e acrescentei que o uso do e-mail era outro fato de mudança comportamental dos usuários da internet. O e-mail acabou caindo em desuso, ou melhor, o seu uso foi deturpado. As pessoas mais novas (ou mesmo as mais velhas) utilizam essa ferramenta como passaporte para ingressar em outros serviços online. Por exemplo, eu quero ter uma conta no Flickr, então crio um e-mail (caso eu não possua), pois o serviço do Flickr exige isso. Em suma, o e-mail acabou se tornando praticamente um CAPTCHA para cadastros em serviços online, ou simplesmente para colocar no currículo e para receber material da faculdade.
A questão interessante foi tentar descobrir ou criar hipóteses que levaram os usuários tomarem essa mudança comportamental. Pude pensar calmamente com meus botões e cheguei a seguinte hipótese, que acredito ser a maior causa da mudança, veja.
Próximo da época que o e-mail foi inventado (i.e., Hotmail) as pessoas utilizavam a internet para comunicar assim como fazemos hoje em dia, porém as ferramentas disponíveis para essa comunicação dentro da rede eram bem mais restritas. Os principais canais de comunicação dentro da rede para pessoas que já conhecemos basicamente eram: IM e e-mail. (Existiam outras ferramentas como BBC, fóruns e salas de bate-papo, porém eram para um público restrito – como os casos do BBC e certos fórums – e não era para falar com pessoas que já conhecíamos pessoalmente ou etc.) Exatamente por esse motivo (do escasso de ferramentas para comunicação na rede) as pessoas as utilizavam com mais freqüência e com mais ardor, ou seja, com muito mais atenção e dedicação, convergindo assim toda a sua atenção e foco em uma ou duas ferramentas apenas. Porém o que acontece hoje é que existem muitas outras ferramentas na rede. (Não só dentro da rede como fora dela também. Agora é possível, por exemplo, mandar uma mensagem texto para outro celular sem ter que hipotecar a casa – vale lembrar que o celular naquela época era bem mais caro) Por esse motivo a atenção começou a ficar dispersa e não tão focada no MSN e o e-mail acabou entrando em desuso (ainda utilizam, mas de forma diferente).
Vamos ilustrar um pouco a situação pós-moderna: por exemplo, quero convidar o meu amigo para tomar um café pela internet, quais opções eu teria? Posso mandar um scrap pelo Orkut; posso Twittar para ele; mandar uma mensagem pelo MSN e quem sabe por último lugar enviar um e-mail. Outro exemplo é caso eu tenha viajado com meus amigos, tirei muitas fotos e desejo compartilhar, posso usar outros serviços como o Flickr ou o picasa, não tenho a necessidade de mandar por e-mail. Assim fica claro o motivo dos usuários perderem a assiduidade da ferramenta e a atenção para com a mesma.
Enfim, existem outras causas que causam aversão ao e-mail para os novos usuários da internet (i.e., os jovens), como o fato do e-mail ser algo lerdo para eles e o fato do e-mail nunca ter sido essencial para comunicação e como conseqüência disso não possuir experiência de uso da ferramenta dessa forma dificilmente conseguirão valorizar a ferramenta. Afinal, existem ferramentas “melhores” e mais rápidas com o mesmo objetivo do nosso antigo e-mail.
Já os IM’s ainda estão sendo continuamente usados, porém com menos intensidade, talvez pela descoberta e o fascínio que existia antigamente de conversar e descobrir outras pessoas falando através da internet ter se tornado inexistente. Motivos? Primeiro pela atenção que não é voltada unicamente por esse meio de comunicação; segundo pela nova geração não achar nada novo conversar pela internet, afinal, para eles internet já é comum e corriqueiro (i.e., perdeu o hype).
Essas são as minhas deduções. (:
