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Denis Lee.
27 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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Escolhas sociais.

Existe algo que sempre me intrigou: o que define o comportamento correto dentro da sociedade quando a cultura entra de frente com as suas crenças? Digo isso, pois aconteceu um fato que chamou a minha atenção. Contarei com pormenores. Aliás, acredito que já tenha acontecido com outras pessoas também esse episódio que descreverei logo abaixo.

Fui ao McDonald’s com um grupo de amigos. Até aí nenhum problema, porém ao entrar no local, pude perceber que estava repleto de pessoas. A conseqüência disso não era apenas a indisponibilidade de lugares nas mesas para comer por lá mesmo, porém as filas enormes nos caixas de atendimento estavam lotadíssimas também. Decidimos pedir para viagem e comer em outro local, todavia enfrentar as filas era uma sina inevitável. Pegamos à fila que aparentemente tinha menos pessoas e aguardamos pacientemente. Porém, um funcionário do estabelecimento chamou a atenção da esposa do meu amigo que estava com criança de colo e pediu gentilmente para que ela pegasse outra fila – uma que era especial, diferente e preferencial. Resoluta, tomou a decisão de pegar essa fila, porém meu amigo (e marido dela) naquele átimo teve uma gloriosa idéia: pegar o pedido de toda a galera e transferir para a sua esposa, ou seja, pegar um atalho com o popular “jeitinho brasileiro”, resolvendo assim o problema de enfrentar aquelas filas que pareciam não ter fim. Eu, todavia, neguei decididamente a oferta e mantive meu lugar naquela fila enorme. Meus amigos decidiram aproveitar essa via secundária, reuniram seus pedidos e transferiram para a pobre moça com a criança.

Optei ficar na fila, pois aquele atalho que eles estavam tomando era para mim algo inconcebível e inaceitável, estava totalmente fora das minhas crenças ideológicas. Estavam nitidamente (no meu ponto de vista) cometendo um crime hediondo. A minha decisão se assemelhava a decisão de um psicopata que anseia pela sua próxima vítima.

Nesse meio tempo da fila, tive a oportunidade de refletir sobre o ocorrido. Afinal, vi o resultado da minha escolha, sabia de minhas convicções e o meu senso de justiça, da minha responsabilidade para com a sociedade como um todo, estava tentando ao máximo fazer a minha parte em meu pequeno gesto – que eu classificara como honrosa e íntegra. Conquanto, meus amigos – ali fora da lanchonete – aguardavam pacientemente o tal do defensor da justiça e da honestidade (i.e., eu).

Aí entra uma questão interessante. Afinal, qual escolha devo fazer nesses momentos? Seguir com um furor incontrolável de minhas crenças que torna possível a mudança do mundo com atitudes pequenas, porém honrosas como essa onde eu neguei “o caminho mais fácil”/”o jeitinho brasileiro”, contribuindo assim para valores até então esquecidos na cultura brasileira, ou priorizar meus amigos presentes naquele momento, esquecendo assim da responsabilidade social perante a um grupo maior de pessoas (, porém, anônimas) e por fim ser cúmplice de um crime intolerável (no meu ponto de vista)?

Bem, o resultado da minha escolha foi o constrangimento que causei perante os meus amigos, mas senti que agradei o restante das pessoas anônimas (para mim) que aguardavam pacientemente a sua vez nas suas respectivas filas intermináveis.

Até hoje ainda me deparo com muitas dessas situações. O conflito que existe entre o super-herói defensor da justiça em meu interior com os pequenos delitos cometidos pelos meus amigos, cria definitivamente uma situação constrangedora e desesperadora.

Haja sabedoria e paciência para fazer a melhor escolha. Em suma, ainda não consegui concluir qual a melhor escolha. Hei de ponderar mais sobre essa incrível questão e assim que descobrir algo, compartilharei com vocês; oh, prezados leitores.

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