Política e a economia
Beeeeem antigamente a política era separada da economia, ou seja, eram coisas distintas. Veja a citação abaixo que bonitinha.
A lógica é simples: para Platão, a economia opera no terreno da necessidade e da ganância, ao passo que a política deveria operar no da justiça e do direito.1
Porém, com o passar do tempo a linha divisória das duas áreas começa a se tornar tênue e dessa mistura começa a gerar problemas. Afinal, não queremos que a política atue no terreno da ganância, certo? Hehehe.
Por volta da década de 1960 os americanos não sabiam realizar trabalhos comuns, como ordenhar uma vaca, fazer biscoitos e etc.2 Ou seja, estavam passando por um estado transitório, existiam tantos tipos de produtos no mercado que a mão de obra se tornou algo complicado para produtos básicos. Assim aquele consumidor (que necessariamente é um dos trabalhadores. Afinal, precisa trabalhar para ter dinheiro e dinheiro para se tornar um consumidor em potencial.) que tinha completo conhecimento da como era produzido a maioria dos produtos - e assim conseguia avaliar melhor se aquele é um bom produto ou não -, passou a não ter mais esse conhecimento (devido a grande variedade de produtos e a complexidade da fabricação dos mesmos). Veja que agora ele não procurava ver de que maneira foi feito o produto, material que foi utilizado entre outras características que talvez fossem importantes para classificar se valeria ou não comprar o produto.
Ótimo, até aí nada de anormal. Porém, o foco para classificar se o produto é bom ou não mudou. (Já que ficou impossibilitado de saber o processo de criação de uma grande variedade de produtos.) Pessoas começaram a procurar produtos que eram fáceis de usar. (Claro, imagine você ter que programar o Windows XP sempre que precisar utilizar o computador. Estou exagerando. Hihihi.) Não querem produtos complicados, querem algo prático e que facilitem a sua vida. Não vejo erro em pensar dessa maneira, porém pode levar ao erro se condicionar a cabeça a pensar dessa forma sempre. As pessoas podem começar a utilizar dessa filosofia de classificar se o produto é bom pela facilidade de uso e por não ser complicado de manusear, começam a ter preguiça para pensar e investigar como o produto foi feito. Afinal, saber como funciona determinado produto é chato e com certeza não torna a coisa prática, indo diretamente na contramão do que é bom perante a essa “filosofia da praticidade”.
Aparentemente inofensivo pensar dessa maneira para escolher o melhor produto no mercado, certo? Veja o seguinte pensamento: “Eu quero que funcione não me importa se o produto será durável ou de ótima qualidade como um todo. Contanto que eu consiga realizar o que eu quero com o produto e eu possa me sentir satisfeito, ótimo. Quanto menos eu precisar pensar, melhor.”. Hmmm. Pensamento duvido esse, não acha?
Diga-me, qual a maneira que os políticos se apresentam para você decidir o voto? Na TV, no rádio, no papel e em muitos outros lugares. Que interessante, não acha que essa é uma maneira semelhante de vender uma faca que corta tudo? Você quer saber como a faca foi fabricada e como ela funciona ou quer saber se ela corta? Quer saber a história da faca? Duvido. Veja que essa analogia é terrivelmente real a meu ver e, sinceramente, acredito que seja uma das causas da alienação que as massas sofrem ao decidirem o voto.
Esse é um dos perigos distintos (não obstante, muito interessante) que a mistura da política e a economia pode gerar.
1 SENNETT, Richard - A cultura do novo capitalismo. pg.127
2 ZUKIN, Sharon - Point of Purchase.
