Memórias do subsolo
Terminei mais uma grandiosa conversa com o nosso querido barbudinho Fiódor Dostoiévski! Os assuntos (i.e., título do livro) discutidos foram as “Memórias do subsolo”. (Risadinhasrsrsss.) Após ler o meu primeiro livro do Dostoiévski, “Crime e castigo”, fui obrigado a ler “Memórias do subsolo”. Motivo? Explicarei com todos os pormenores as grandes motivações que eu tive e que me impulsionaram para a leitura do mesmo.
Antes de tudo. Antes mesmo que eu esqueça.
Escrito na cabeceira de morte de sua primeira mulher, numa situação de aguda necessidade financeira, Memórias do subsolo condensa um dos momentos mais importantes da literatura ocidental, reunindo vários temas que reaparecerão mais tarde nos últimos grandes romances do escritor russo.
Aqui ressoa a voz do “homem do subsolo”, o personagem-narrador que, à força de paradoxos, investe ferozmente contra tudo e contra todos – contra a ciência e contra a superstição, contra o progresso e contra o atraso, contra razão e a desrazão -; mas investe, acima de tudo, contra o solo da própria consciência, criando uma narrativa ímpar, de altíssima voltagem poética, que se afirma e se nega a si mesma sucessivamente.
Não é por acaso que muitos acabaram vendo nesse livro uma prefiguração das idéias de Freud acerca do inconsciente. O próprio Nietzsche, ao lê-lo pela primeira vez, escreve a um amigo: “A voz do sangue (como denomina-lo de outro modo?) fez-se ouvir de imediato e a minha alegria não teve limites”.1
Ora essa, veja que um dos filósofos mais conhecidos da atualidade demonstrou admiração por Dostoiévski ao afirmar isso. Não só Nietzsche leu e achou extraordinário o texto, mas Dostoiévski conseguiu conquistar outros fãs famosos como Freud e Kafka.2 Hoje já gostamos das obras realizadas por esses nomes, o que dizer sobre o homem que essas pessoas admiraram? Poizé! Menti sobre os pormenores, não obstante, tenho certeza que convenci muito de vocês que o nosso amigo russo foi um grande escritor.
O livro é divido em duas partes. A primeira parte é totalmente subjetiva onde o personagem-narrador descreve a sua angústia e seus conflitos (i.e., paradoxos criados pelo próprio personagem). Muitos dos seus pensamentos deixam distintas as origens de muitos pensamentos de Nietzche, no meu ponto de vista. Marquei algumas partes do livro que indica isso, porém não quero citar aqui no blog. Apesar de serem bem interessantes!
Já na segunda parte a coisa fica mais interessante. O personagem conta um evento que mostra claramente seus conflitos em seu subconsciente na prática, descrevendo cada pensamento que vem a sua cabeça e atitudes controversas que toma perante esses pensamentos e eventos. Vendo isso me fez dar algumas boas risadinhas. Essas reflexões lembram muito os questionamentos que o Raskólnikov de “Crime e castigo” faz em muitos eventos que decorrem no livro.
Em suma, adorei a descrição ele faz do valor que pode ter um casamento e da crítica terrível que faz a prostituição. O final é espetacular.
Falei demais do livro e sei que vocês lerão, por esse motivo não quero estragar a festinha.
1 Capa traseira do livro da editora 34.
2 BRADBURY, Malcolm – O mundo moderno.
