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Denis Lee.
26 anos. Bacharel em Ciência da Computação.

"Nunca encontrei uma pessoa tão ignorante que não pudesse ter aprendido algo com sua ignorância."
— Galileu Galilei (1564-1642)

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O grifo é meu - O apanhador no campo de centeio.

Cheguei lá cedo demais e, por isso, me sentei num daqueles sofás de couro, bem pertinho do relógio do saguão, e fiquei olhando as garotas. Muita gente já tinha chegado de férias e acho que havia mais ou menos um milhão de pequenas por ali, sentadas ou em pé, esperando os namorados. Garotas de pernas cruzadas, garotas de pernas descruzadas, garotas com pernas fabulosas, garotas com pernas pavorosas, garotas que pareciam boazinhas, garotas que, se a gente fosse conhecer, ai ver que eram umas safadas. Era realmente uma paisagem interessante. De certo modo, também era meio deprimente, porque a gente ficava pensando no que ia acontecer com todas elas. Quer dizer, depois que terminassem o ginásio e a faculdade. A maioria ia provavelmente casar com uns bobalhões. Esses sujeitos que vivem dizendo quantos quilômetros fazem com um litro de gasolina. Sujeitos que ficam doentes de raiva, igualzinho a umas crianças, se perdem no golfe ou até mesmo num jogo besta como pingue-pongue. Sujeitos que são um bocado perversos. Sujeitos que nunca na vida abriram um livro. Sujeitos chatos pra burro. Mas é preciso ter cuidado com isso, com essa mania de chamar certos caras de chatos. […]

O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, J. D. Salinger.

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Solidão em meio a multidão.

Solidão é o que venho sentindo esses dias. Sei que essa palavra deve soar estranha para você, ou talvez não soe; mas para mim faz completo sentido agora. É amigo, faz tempo que não conversamos; na falta de pessoas, converso com ninguém, ou será com todos da Internet? De todo modo, estou aqui novamente, aqui em meu blog.

Temos que saber equilibrar as coisas, isso também vale para as amizades que fazemos. Nós, seres humanos, somos feitos para se relacionar uns com os outros. Então, aquele que passa muito tempo sozinho, provavelmente será uma questão de tempo para perder a sanidade mental. É, acho que isso todos nós já estamos carecas de saber. O problema é quando existe a tecnologia para criar laços de intimidade muito estranhos e novos. Estranhos para os seres humanos que em teoria só deveriam se relacionar pessoalmente, o virtual não passa de uma anormalidade, quiçá uma ilusão.

Agora vejo que temos dois grupos (ou três até com a intersecção desses grupos) distintos. Um grupo que são os nossos relacionamentos pessoais e um grupo que são os nossos relacionamentos virtuais. Obviamente que o grupo de relacionamentos pessoais é bem mais valioso e precioso, afinal de contas, nosso ser foi formado para ter esse tipo de relacionamento. Todavia eu não tenho muitos relacionamentos pessoais e tenho muitos outros relacionamentos virtuais, o que pode gerar um problema muito grande no equilíbrio da sanidade mental de uma pessoa normal.

O problema é a pequena (micro minúscula) fama que estou tendo esses dias aumentou bastante em minha percepção de normal a quantidade de relacionamentos virtuais que ando tendo. Deve achar isso uma maravilha, certo? Nem sempre. Acontece que eu me preocupo razoavelmente bastante com as pessoas (sejam elas reais ou virtuais), então dez pessoas para eu me preocupar a minha vida se torna um pesadelo. Como se torna um pesadelo? Começo a me preocupar em horas inoportunas, onde deixo de cumprir com as minhas responsabilidades para me preocupar com outras pessoas. Cada nova pessoa que conheço sinto em dívida para dar um pouco de mim, do meu tempo, da minha atenção para essa pessoa. Acontece que seguindo nesse ritmo, não sobrará mais nada de minha pessoa. Todos esses laços de relacionamentos virtuais aumentam em quantidade, mas diminuem drasticamente em qualidade; deixando os laços frágeis e superficiais. E quando me dou conta, quando necessito de ajuda, quando preciso de laços um pouco mais fortes… não tenho nenhum e assim me sinto só.

Não era para se sentir só, afinal existe outro grupo de pessoas com quem eu deveria recorrer nesses casos, certo? É, o grupo de relacionamentos reais, que no meu caso é quase inexistente. Então…

A tecnologia avança em um ritmo tão grande que biologicamente é impossível o ser humano evoluir para acompanhar, dessa forma todos nós saímos prejudicados. A sede das empresas e dos marketeiros buscarem sugar em nossos instintos, não respeitando nossos limites humanos, nos destroem sem que saibamos. Um bom exemplos são os MMORPGs que consomem a vida de muitos, tentando excitar o máximo de prazer quando nossos corpos não estão biologicamente preparados para tal choque de lazer exagerado. Matam-nos.

Isso não é para mim e acredito que nunca será. Preciso de todos, não preciso de alguém. Preciso me relacionar e não mais me virtualizar. Preciso aprender a ser como um humano e não mais parte da anormalidade real ou normalidade virtualizada. Preciso pensar, preciso de um tempo. Tudo que sei é que não estou bem.

É isso… ):

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Dossiê: @denislee x @LReporta

Muitas pessoas têm me perguntado o que foi exatamente esse conflito, portanto resolvi criar esse post que explica (ou tenta uma boa aproximação) do que aconteceu realmente. Obviamente que esse é o meu ponto de vista e que podem existir diversas falhas. Vale lembrar que não pretendo divulgar deliberadamente esse texto, uma vez que tento esquecer esse episódio que só desgasta a imagem de ambos. O texto possui o intuito de economizar letras na hora de explicar para os curiosos que perguntarem para mim sobre o conflito. Acredito que ele será muito útil após a minha saída do vlog em conjunto.

Tudo começou no mundo mágico do YouTube Brasil, quando não existiam praticamente nenhum vlogger… brincadeira, vamos começar da maneira séria.

Após o “boom” do vlog maspoxavida de PC Siqueira, surgiram muitos outros novos e os antigos que gravavam vídeos no YouTube também tiveram a sua visibilidade. Estavam todos crescendo aos poucos e, obviamente, o meu vlog e de Leon (@LReporta). Com grande interesse na possibilidade de criar uma comunidade forte no YouTube Brasil, começamos a apoiar todos os iniciantes e veteranos. Literalmente, estávamos juntos para tudo e assim o mundo do YouTube Brasil era um mar de rosas.

O tempo passou e fiquei muito feliz em ver que uma verdadeira comunidade que estava se formando. Todavia, comecei a reparar um distúrbio na Matrix, algo estava errado. Reparei em muitas atitudes reprováveis do @LReporta. Como os ataques aos trolls que ele fazia entre outras  atitudes (para mim) reprováveis e que refletiam negativamente para a comunidade. O tempo passou e o as coisas ficaram piorando em minha visão, até que resolvi conversar sério com o @LReporta. Conversamos pelo MSN, pelo Tinychat e nada mudou quanto ao seu comportamento. Até que certo dia, eu não agüentei mais (sim, deveria ter agüentado) e publiquei uma conversa de MSN em meu blog (esse que você lê) que apontava todos os seus erros (que eu considerava graves), pois queria um fim definitivo disso tudo. Tuitei também: “Meu julgamento sobre @LReporta – youtube.com/lreporta – http://pud.im/127”.

A conversa publicada foi essa: http://bit.ly/9nbTRz

Muitas pessoas não entenderam absolutamente nada de minha agressividade para com o @LReporta. Todavia isso é explicável e tentarei dar os pormenores.

O YouTube pode ser divido em dois grupos distintos, aqueles que produzem os vídeos e aqueles que assistem aos vídeos. A crítica que fiz, dependia muito de contextualização, ou seja, era completamente voltada para os produtores de vídeos e não para os que assistem aos vídeos. Quase na totalidade dos que produzem os vídeos concordaram com as minhas críticas para com o @LReporta, já os que não entenderam, julgaram como agressividade e violência gratuita; afinal, não possuíam a contextualização do mundo em que vivem os produtores de vídeos do YouTube.

Então, apesar de todas as acusações citadas serem reais (a meu ver), voltei com a decisão de publicar. Afinal, pegaria um público que não entenderia nada (os que assistem aos vídeos), então  retirei rapidamente o post e fiz um pedido de desculpas em público. Tuitei o seguinte: “Peço minhas sinceras desculpas para o @LReporta pelo equivoco do último post em meu blog e a todos pela repecurão gerada. Já apaguei o mesmo.” (Errei até na digitação.)

(Agora uma observação interessante.)

Enquanto o @LReporta tuitava frases como: “Sr. @denislee postou essa conversa no blog dele mais cedo (depois apagou): http://bit.ly/9nbTRz Sabe qnts pessoas vieram me apoiar? Só 1.”, “Comunidade de vloggers. Obrigado por nada. O aproveitador dissimulado aqui vai tomar o caminho da roca (o q ele deveria ter feito há tempos)” e “Nao esperem nada de mim. (Pq eu nao espero de vocês).”. Eu recebia dezenas de mensagens em meu MSN com frase do tipo: “Cara, sabia que um dia alguém iria pronunciar sobre as atitudes dele, mas juro que não esperava que fosse você a fazer isso”. Obviamente que recebia essas mensagens de vlogueiros. Claro, não citarei nomes.

Poizé, para a surpresa da comunidade, o @LReporta copiou e colou em seu próprio vlog a conversa que eu tive com outro vlogueiro. Agora, você deve me perguntar o motivo dele fazer isso. Eu posso deduzir o motivo dessa atitude.

Obviamente que após ter sido ofendido (principalmente com algumas verdades, o que dói mais), o sentimento de justiça soou o alarme dentro dele e definitivamente o @denislee – eu – deveria pagar um preço e equilibrar a balança. Sua estratégia consistia em se vitimizar com tuitadas do tipo: “Se vc concorda com o cara. De boa, me dê unfollow e desinscreva do meu canal.”, “E olha que o cara era meu colega de Cinco Vlogueiros.”, “Eu nao vou conter minha raiva. O cara me deu uma facada nas costas, do nada.” e por aí vai, o show perdurou. E mostrar para o público que assiste vídeos (que provavelmente não entenderia nada por estar completamente fora do contexto) que ele foi agredido sem motivo. O que deve ter funcionado. Republicando assim a conversa que eu havia apagado.

Eu mesmo (@denislee) tentei entrar em contato com ele, mas ele me bloqueou de seu MSN e não queria de maneira nenhuma querer acertar as contas como dois cavalheiros civilizados. Sim, estava claro que ambos erramos, eu de ter publicado (existiam outras maneiras para dar o recado, ou talvez o ideal fosse apenas ignora-lo) e ele de ter a posição de perdurar com a discussão, realizando a estratégia de vítima e publicando novamente a minha conversa.

Sempre estive aberto a perguntas (formspring e MSN) e conversava com todos que vieram e dispuseram em ajudar em uma conciliação civilizada. Acontece que nada adiantou e ele @LReporta continuou em sua decisão final de não querer mais nada e deixar bloqueado.

O outro reflexo foram essas tuitadas: “Sobre os 5 vlogueiros, já tô fora. Falei pra Ferdi q pode procurar outro (nao tem como eu ficar lá com esse sujeito).”, “Apesar de ser o idealizador dos 5 Vlogueiros, eu largo mao pra nao ter que olhar mais pra cara dele.”.

Exatamente, ele afirmou que não iria fazer mais parte e etc. Eu, que estava ainda no projeto, decidi tentar contornar a situação, falando com outros membros do vlog em conjunto que estaria aberto para conversa e reconciliação; dependia unicamente dele para que isso realmente acontecesse. Infelizmente, não aconteceu.

O que ocorreu depois de um bom tempo? Ele decidiu voltar para ficar novamente com o vlog em conjunto e pediu a minha saída. Claro que pelo lado racional e caso fosse verificar o verdadeiro culpado da história seria eu (sim, eu iniciei o conflito). Então, todos concordaram com a minha saída e então eu saí.

Em suma, admito que eu agi de forma completamente equivocada ao publicar uma conversa tão agressiva. Eu, que sou uma pessoa muito calma, estou aberto à reconciliação. Aliás, sempre estive desde o momento que apaguei o post.

Honestamente, o meu chute de que nenhum outro vlogueiro havia se pronunciado é exatamente pelo fato da principal acusação ser “você está com inveja!”, argumentação que para mim não teria efeito algum. Por isso, que talvez, todos sabiam, mas ninguém fazia absolutamente nada. Obviamente que eu estou falando de vlogueiros menores (menos inscritos, iniciantes e etc).

É isso, qualquer dúvida, por favor, coloquem nesses comentários!

Algumas perguntas de meu formspring sobre o assunto:
http://www.formspring.me/denislee/q/641793920
http://www.formspring.me/denislee/q/641804040

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A abstinencia do ser na sociedade contemporânea. *

por Ettienne Chevreuse Grimaud  

Nada mais contrafactual do que a afirmação de que o Ser contemporâneo limita-se pela sua condição de vivente abscôndito no seio de uma sociedade multifacetada, culturalmente plural e pós-industrial. A contemporaneidade sempre adquire seu sentido na relação extra-temporal e não linear da oposição entre o agora, o antes e o depois. Mas a presença do Ser se dá em um meta-agora, impassível de ser subsumido à demarcação mecânica e linear da ciência moderna (refiro-me a ciência nascida no século XVII e que perdurou até o início do século XX). Com efeito, a ciência atual – como um rio que desaguou suas águas no turvo mar da incerteza, desvendando seu leito como o fluxo bipolar e ilusório de sujeito e objeto – desvela-nos o caos, a não-linearidade e a indefinibilidade nos quais a esseidade do Ser atuou e deu-se para si próprio e para a consciência.

Mas o Ser jamais se revelou na sua atualidade, visto que sua manifestação é sempre pré ou pós as certezas que julgávamos ter e que hoje apenas advêm como reminiscências de um tempo que ou já se foi ou ainda não chegou. Neste sentido é que é possível falar em uma reminiscência futura ou pós-presente. O homem contemporâneo é ignorante de sua condição, na medida em que credita ao fluxo temporal e ao locus de sua atuação o estatismo presente nos modelos supraculturais e metadiscursivos que controlam sua existência. É como se a essência do Ser, plurimanifestada na atualidade dos entes (no sentido da conversão aristotélica da potência ao ato), fosse um prêt-à-porter adquirido nos meios de difusão da racionalidade moderna.

A física quântica e a teoria do caos, a contragosto dos cientistas newtonianos, foram o irromper da pujança do Ser olvidado. O que era, apenas, agora é, em demasia. O Ser se mostra agressivamente, como o pulsar da violência inexorável do ser humano se mostra na violência da sociedade contemporânea. É o sforzando da esseidade do Ser que ganha a luta agônica contra a onticidade dos existentes. Resta apenas a ignorância daqueles que não suportam o rosto de Deus, como Moisés a esconder sua face frente o Todo Poderoso no Monte Sinai. A metáfora presente no Êxodo, que perdeu o sentido pelas interpretações religiosas, mostra-nos que o Ser se manifesta, mas o humano esconde a sua face. A ciência que queria ocultar a verdade do Ser, rebuçada sob o discurso do seu desvelamento, tira suas sandálias frente a sua auto-epifania, mas alguns preferem esconder a face.

O mundo é incerto, e o Ser atravessa moderníssimos aceleradores de partículas para lançar-se não contra os alvos, mas contra o rosto coberto pela racionalidade e pelos ícones da objetividade. A liberdade e a fluidez se mostram em sua mais pura forma. A contemporaneidade do Ser se torna inquestionável e passa ser a única certeza, ainda que incerta em si mesma, que irrompe do paradoxo de um mundo vicissitudinário submetido a um conceito castrador e inexistente: a Razão. O mal estar do mundo atual é o bem estar do Ser. A unidade entre Ser e humano está justamente na unificação concreta entre os termos Ser e humano. Por isso, nunca fomos seres humanos, mas humanos sem o Ser, por conseguinte pseudo-humanos, ou possivelmente pré-humanos. Fomos húmus que poderia ter fertilizado o solo para o desabrochar do Ser, mas húmus desencaixados do solo e suficientemente distante dele para não conseguir fecundá-lo. O ser humano é o Ser que fecunda. É o Ser que se torna húmus. Por isso, chamarmo-nos de ser humano, antes da fecundação, é o equívoco de toda a modernidade e da sociedade medieval. Pois a antigüidade, com seus mitos, seu atomismo, ou mesmo a sua busca pelo arché, buscava a semente, ainda que nos números pitagóricos, que poderia cair no solo unido ao húmus. O oráculo délfico soa-nos agora inteligível: “Conhece-te a ti mesmo”. Conhece-te e verás que não és ainda o humano que descobre o Ser.

E, justamente hoje, a semente do Ser se lança e brota. A sementeira está repleta de quarks, elétrons e fótons, comportando-se apenas probabilisticamente e de forma caótica. Da ciência brota o Ser. Da mesma ciência que ocultou o Ser. Mas a razão é o manto que cobre o rosto dos pré-humanos e mantêm-nos separados do solo que nos possibilitará ser húmus e, consequentemente, sermos ser e humano. Ser contemporâneo, portanto significa olhar de frente a aparição do Ser, sem o manto da razão a obnubilar-nos a vista, e não deixarmo-nos envolver com o visgo do passado moderno que nos impede de ver no mundo atual a auto-epifania diafânica do Ser que é em demasia.

O Ser que é, ao mesmo tempo não é, pois “é” é “Ser” conjugado, como verbo, no presente e a manifestação do Ser é extra-temporal, mesmo no hic et nunc de nossa presencialidade. Viver a contemporaneidade é viver o meta-agora. O verbo não manifesta a temporalidade do Ser, mas o Ser precisa traduzir-se na infinitude, ao mesmo tempo finita, da linguagem pré-humana e por isso aparece como verbo. O verbo, em seu sentido etimológico, se opõe a res e, por isso, é forma. Mas é forma de-formada na conjugação temporal do pré-humano, para a qual o mundo se limita ao tempo triáfano, ou seja manifestado no passado, no presente e no futuro. O Ser, na sua essência, não é triáfano, mas poliáfano e seu tempo pode traduzir-se, como verbo, em conjugações de uma linguagem verdadeiramente humana, donde faria sentido os paradoxos multitemporais de um passado-futuro, de um futuro-presente, de um presente-passado, etc. e mesmo de um passado-passado ou de um presente-presente. Na manifestação lingüística da multiafania do Ser, que se faz verbo, seria possível e necessário estender o tempo a um passado-passado-presente, um presente-presente-futuro, e assim ad infinitum.

Mas a dinâmica conservadora e opressora das estruturas sociais contemporâneas prefere abster-se do Ser, para preservar a ordem e o status quo. O homem contemporâneo é levado a abster-se do Ser, para não por em risco as estruturas de poder que se manifestam no cotidiano e simbolicamente, dando a ilusão de que os que dominam o mercado são superiores por si mesmos e em sua essência. A miséria de povos inteiros, no fundo é fruto da abstinência do Ser da sociedade contemporânea. O véu que nos cobre o rosto nos impede de ver quem está à frente, por isso atropelamos, matamos, desconsideramos o outro. Desvelar significa tirar o véu da razão e contemplar o Ser multiáfano. Com isso a cegueira seria curada e a sociedade não teria mais seus problemas que gritam e apelam à nossa consciência ética. A globalização é a extensão do véu e o assassinato do Ser que brota. No fundo, a destruição da natureza é a expressão da tentativa desesperada de matar o Ser que brota por si mesmo. Quando se agride a natureza está-se sublimando a vontade de se agredir o Ser. Por isso a sociedade contemporânea agride tanto a natureza, pois sente-se impotente na tentativa de matar o Ser que se manifesta à revelia do ideal moderno. É como a pessoa, que não podendo despejar o seu ódio em outra pessoa através da agressão física, gasta o tempo socando um saco de areia e assim descarregando sua raiva por sublimação.

Da mesma forma, a exclusão social e econômica que abafa a vida de bilhões de pessoas no mundo é a sublimação da vontade e da necessidade de se abafar o irrompimento do Ser. A abstinência do Ser impede que os pré-humanos se transformem em humanos. As análises ainda modernas e racionais da exclusão social, sem o querer, acabam também agredindo o desabrochar do Ser, quando buscam transformar a sociedade através dos velhos métodos de luta que caracterizaram a sociedade industrial. Pois subsumem o presente à idéia de um sistema (o capitalismo) e não permitem que o Ser se manifeste para além da idéia do econômico. Perseguem uma ratio explicativa da exclusão, quando é justamente a ratio que a produz. Atira-se para o lado errado e acaba acertando a si mesmo no ricochetear do labirinto de chumbo que deixa movimentos sociais perdidos no complicado enredo da abstinência do Ser. Destarte, bilionários que controlam a economia mundial e sindicalistas que pensam em lutar por uma nova ordem acabam sendo comparsas na destruição do Ser multiáfano e parceiros na distribuição da ignorância esclarecida (aufgeklärt) da sociedade moderna e iluminista.

É no universo pós-racional e pós-moderno que o ser humano se manifesta. E a filosofia deveria ser uma iamotecnia que prepararia os ungüentos lenitivos para as dores da ciência e a cura definitiva para a síndrome da abstinência do Ser. Ainda na rebordosa da tentativa frustrada de entender o mundo, a filosofia ressente-se de não cumprir uma promessa feita em público e seus divulgadores preferem pedir um tempo a mais para reconstruir a ponte que a levaria às luzes, mesmo sabendo que jamais conseguirão completá-la. No fundo eles esperam a morte que lhes absolverá da condenação de não terem servido pra nada, a não ser dançar e sapatear sobre o broto nascente do Ser. O filósofo pós-moderno deve dar o grito de independência da razão, às margens do rio que alimentará o ser humano contemporâneo para conviver com a multiafania do Ser. À filosofia cabe ser o pôr do sol no mês de ramadã, onde poderemos nos alimentar após o jejum de séculos e séculos de ocultamento do Ser.

Este texto poderia continuar indefinidamente, até constituir-se num livro. Mas ele foi apenas uma brincadeira com o estilo pós-moderno de filosofia, que apenas cuida da sua precisão sintática, sem querer falar de nada, costurando idéias sem o compromisso de fundamentá-las ou ordená-las através de um eixo central, além de querer buscar explicações de gabinete para problemas mundiais gravíssimos como a destruição da natureza e a exclusão social. Ele foi feito (inventado) em exatos e descontraídos 20 minutos (descontando os minutos destas últimas linhas) e não precisou de nenhuma pesquisa que lhe desse consistência. Quantos de nós já não se depararam com textos assim e se admiraram com eles? Quantos de nós não nos sentimos ignorantes por não compreendê-los totalmente? E quantos de nós não repetimos ordenadamente e ipsis litteris as frases bonitas encontradas, sem sabermos exatamente o seu sentido?

A propósito, o nome do autor é fictício e seu “currículo” é inventado para dar mais autoridade aos seus argumentos. O tradutor é, na verdade, o autor.

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Tento demonstrar os dois dos maiores “problemas” que eu compreendi ao pesquisar alguns especialistas. Essa é a minha visão atual.

Referências bibliográficas:

Watson, J. B., Behaviorism, New Brunswick, N. J., Transaction, 1924/1998. 
Locke, J., An essay concerning human understanding, Nova York, E. P. Dutton, 1690/1947, livro II, cap. 1, p. 26.
Descartes, R., “Meditations on first philosophy, em R. Popkin (ed.), The philosophy of the 16th and 17th centuries, Nova York, Free Press, 1641/1967, Meditation VI, p.177
TED - Ken Robinson: Escolas matam a criatividade?

Não sei se vocês já repararam no tipo de programa humorístico que faz sucesso na TV. Normalmente são aqueles programas terrivelmente caricaturados e forçados, bem a cara de comédia pastelão. Sempre julguei o fato desses programas humorísticos fazerem sucesso pela falta de bagagem cultural do publico que assiste, ou seja, não tiveram oportunidade para ver algo que talvez seja melhor e mais sofisticado. Mas aconteceu algo que mudou a minha mente.

http://youtube.com/fondofilmes
http://www.lucianacapiberibe.com/wp-content/uploads/2010/04/artigorogerio.jpg
http://eltonvaletavares.blogspot.com/2010/04/revolta-contra-rogerio-borges-o-idiota.html
http://www.lucianacapiberibe.com/2010/04/13/o-amapa-existe-por-rafael-capiberibe/


“Le secret pour être ennuyeux, c’est de tout dire”  Voltaire (1694-1778)

FAQ #2.


Eu tenho a opinião de que muitas pessoas julgam os outros pela aparência, mas por aparência não quero dizer simplismente beleza, e sim, por exemplo, roupas de marca, estilo, senso de humor, ele aparenta ser rico, legal e engraçado, como você acha qu […] por que se dá muito valor as aparências?

Ok. Aí vai uma explicação um pouco complicada que normalmente eu tenho preguiça de explicar para as pessoas. Hahaha.

Apesar de muitas pessoas terem horror e pavor ao pré conceito (diferente de preconceito) não compreendem que isso é algo que PRECISA existir em nossas cabeças para que exista a possibilidade de vivermos normalmente. Calma, já explico pormenormente. Não fiquei louco, ainda.

Nosso mundo, querendo ou não, é um cosmos. Sim! Um universo ordenado em leis regulares, organizado de maneira regular e integrado. Então, tudo que existe em nossa volta possui um padrão, caso não existisse (i.e., caos) seríamos malucos. Por exemplo, imagine se todo inseto que você encontrasse diariamente fosse um inseto completamente novo? Tomaria sustos todo santo dia, o que não é algo agradável. Todavia, conseguimos classificar eles em grupos e dessa forma conseguimos presumir algumas informações segundo o seu visual (e.g., número de patas) e etc. Assim ficamos calmos e por isso que o cérebro valoriza tanto os paradigmas. Aliás, é por isso que muita gente confunde pato com ganso. ;p

Então, é comum nossa mente ser condicionada a julgar pela aparência, ela sempre funcionou assim e sempre funcionará assim. O grande problema vem quando esses julgamentos invadem as nossas esferas morais e éticas de nossa sociedade, lugares onde os paradigmas não são tão bem vistos assim. Mas, tentar remover um funcionamento básico de nossas mentes e ter horror ao que julga pela aparência, também acho muito leviano. Portanto o ideal é conscientizar as pessoas de erros e apresentar de forma branda o julgamento errado.



Teoria da Evolução: o que achas?

Acho ela bem interessante e plausível.

Como disse antes, acho uma presunção achar ela a única verdade absoluta e que tudo deve circular em volta disso. Sei que o livro “Darwin’s Black Box” de Michael Behe tenha sido refutada no processo Tammy Kitzmiller, et al Vs. Dover Area School District, et al., (Case No. 04cv2688). Não sou biólogo, mas conheço alguns. Pelo o que eu ouvi falar deles, o tal livro ainda gera polêmica e achei muito interessante lê-lo. (Sim, mesmo sendo considerado uma falácia no mundo acadêmico, segundo o processo que já citei.)

Não estou afirmando que Behe possui total razão em tentar refutar a Teoria Evolucionista, mas ele levanta questões interessantes sim! Falam que a complexidade irredutível/especificada pode ser simplesmente moldada segundo modelos matemáticos e corroborados (ou quase isso) através de experimentos bioquímicos. Honestamente, eu julgo isso muita presunção humana.

Agora, quem conhece muito pouco do próprio planeta (vide oceanos), bem como o espaço (o que eu acho fascinante); acho muita arrogância dizer comprovadamente que chegamos a uma teoria que explique a nossa origem. Ok, podem falar: “Olha a caneta cai toda vez que eu solto, portanto a gravidade existe” ou qualquer outro silogismo maluco para comprovar algo; para mim, não passa de positivismo. Não vou chegar à física quântica para tentar demonstrar a nossa ignorância e muito menos às questões metafísicas tão céticas que podem duvidar da existência de uma caneca na sua frente.

O que eu estou querendo dizer é que, no momento que alguém diz que pode afirmar algo categoricamente; para mim é o primeiro passo para a cegueira do verdadeiro conhecimento e busca que todos nós temos inerentemente. E por esse motivo que eu sempre procuro ler e pesquisar artigos.

E para aqueles que louvam Richard Dawkins, eu li um capítulo (sobre memes) extra da última edição do “O gene egoísta”. Meu julgamento para aquilo é que é plausível e um passo para a criação de um “deus” ou criatura mitológica. ;p

Ok, agora vão chover ateus mais do que já chove em meu jardim. Hahaha.



Você tem descendência chinesa, não é? Já foi ou morou por lá?

Hahaha. Sou coreano, mas não ligo de confundirem; afinal, nem eu mesmo sei diferenciar. Aliás, para aqueles espertinhos que sabem diferenciar, façam o teste aqui: http://alllooksame.com/

Bem, nunca fui para a Coréia/China, mas pretendo viajar no meio do ano para a Coréia. (:

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